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vizinhos


10:07 am, iulo
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carona delícia

Cena ideal: uma vizinha, senhora muito simpática, pós-balzaquiana, te encontra no elevador, sorri, te dá um bom dia, pergunta se você vai sair de carro, te pede uma carona até o ponto de ônibus; pedido ao qual você gentilmente atende.

Reconstrução real do fato: você, saindo da garagem do prédio é abordado por uma vizinha velha que bate freneticamente no vidro do seu carro, te causando uma porra de um susto de manhã cedo. Você pára, ela abre a porta do seu carro, não te pergunta nada e já sentando com um monte de bagulho na mão, te informa (em tom de pergunta) que você vai levá-la até o ponto de ônibus; pedido ao qual, puto da vida, você não tem como recusar. Ela sai do seu carro e nele deixa um cheiro de naftalina estragada.

#amovizinhos

12:00 am, iulo
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funny-sunday-yakisoba-mystic (vai ser nome de banda um dia)

Eu pedi comida chinesa no meu restaurante favorito. Minha comida chegou, comi feliz da vida. Em seguida meu querido porteiro liga perguntando se eu recebi o “pedido certo”, porque a vizinha pediu no mesmo restaurante e está dizendo que a comida dela foi entregue na minha casa (oi?). 

-Vizinha, sinto muito, mas sua comida se encontra na minha barriga. Quer fazer um carinho nela? 

Agora observe que loucura da pessoa achar que: 

1. A entrega dela foi feita na minha casa. 
2. Eu aceitaria uma entrega que não pedi. 
3. Pagaria pela entrega que não pedi. 
4. Comeria a comida que não pedi. 

E que eu, o porteiro, o restaurante e Michael Jackson nos unimos e fizemos tudo isso só para sacaneá-la! 

Não sei como ela chegou a estes “fatos”, mas isso não importa. Ela é demais e eu adoro vizinhos. Moram no meu coração. Todos eles. Lindos. Inclusive o do lado que faz churrasquinho na varanda. Coisa mais fofa de papai.


12:00 am, iulo
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ready? fight!

Ainda nem me mudei pro ap novo e os vizinhos já fizeram bonito me colocando no livro de ocorrências. Tudo porque eu fui lá criar uns furos na parede e não sabia que no feriado não podia. Eu achava que era permitido até o meio-dia, mas fazer o quê? Vizinho é uma das espécies mais chiliquentas que existem. Sem falar na incrível capacidade auditiva. 

Agora tá todo mundo lascado. Ao menor sinal de quebra de regras – e eu vou ler a convenção toda de cabo a rabo! Sim, sim, irei! Mwahahaha! – vou pegar no pé do porteiro e ligar para o celular da síndica, chorando feito uma mocinha de 5 anos. Oh, boy, now I see. É daí que surgem os vizinhos. Rancor em cadeia. Propagação do ódio. Yeahh. Burrrrn them down

Detalhe: quando eu era moleque, entrar no livro de ocorrências do meu prédio era a pior coisa que existia. Porque se eu entrei no livro foi consequência de eu ter andado de bicicleta no lugar errado, jogado bola no lugar errado, ter arrancado a grama errada, ter passado cocô na parede errada ou ter socado o colega errado. E se eu entrei no livro de ocorrências era porque eu ia tomar bronca da minha mãe. 

Mas e agora que eu pago minhas contas? A vida adulta é linda porque nos permite certas impunidades. O porteiro vai chamar minha mãe (?) e eu vou dizer num ar totalmente incastigável: bah, vizinhos.


12:00 am, iulo
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sai menino, oxe

Eu sou um imã de menino atrás de porta de elevador. Haja paciência. Eu estou até acostumado. Dou aquele toquinho de leve na porta, olhando pelos cantos. Pq geralmente tem um molequinho que fica na altura do seu joelho esperando pra levar uma trombada. 

O que dá raiva são os pais e as babás das criancinhas. Do lado de fora dá pra constatar. O adulto vê a criança atrás da porta e fica de lá: Ô meniiino, saaia detrás da pooorta
As reações das crianças são as mais variadas: 

Queeê?
- Ficam olhando pra cara do adulto 
- Batem no adulto 
- Xingam o adulto 
- Batem e xingam o adulto 
- Batem no elevador 
- Coçam o olho 

Sair detrás do elevador que é bom ninguém sai. E tirar eles de lá os adultos também não tiram. O melhor de tudo é que depois que eu abro a porta e o menino se bate o adulto fica dizendo: Quantas vezes eu te falei meniiiino? Saaaia de trás da porta do elevadooor

E pra melhorar, mesmo que eles estejam longe da porta, acabam se batendo. Acho que eles pressentem quando eu tô chegando e pensam: eu sou mongo-o-ol! Dão uma estrelinhaa, dois mortais, um hadouken e um martelo, pra que na hora que eu empurrar a porta com o dedinho dê uma porrada neles. E depois ficam me olhando com a mão na cabeça ou coçando o olho, e aquela cara lavada. 

Quando não acontece deles ficarem parados, comendo biscoito, olhando pro boneco na mão. Ou olhando pro meu cachorro. É uma coisa muito linda realmente. 

E o ritual lógico: adulto grita com menino, menino sai da frente, eu saio do elevador, e a vida continua. Isso sem falar quando eles estão armados com bicicletas, velotrol, carrinhos e afins. Aí sim, a briga é boa.