Não. Eu não tô normal. Ultimamamente eu tenho me sentido só. Mais ainda. Lembro de pouco tempo atrás, onde as pessoas brigavam por mim. Por um pouco do meu tempo. E eu podia também reclamar de que não tinha nada pra fazer, mesmo estando com pessoas que gostasse. Hoje eu passo os dias só básicamente.
Não só, só, claro. Pq eu tenho minha família. E minhas irmãs, que passam um bom tempo comigo. E cada dia mais eu percebo o quanto não posso viver sem elas. Sem ter quem ouça minhas bobagens, pirraças e reclamações. Sem ter por quem ser pirraçado. Sem inventar apelidos absurdos, fruto de uma imaginação borbulhando por algo, mas cruelmente ociosa. Nem que seja pra ver o mesmo filme rídiculo novamente com elas, e tendo, claro, o dom mágico de tornar-me o diretor reclamante de cada impertinência que pouco mais de 90min mal elaborados podem gerar.
Mas elas são crianças. Não comento meus velhos pais pq tento falar de uma amizade mais nua e crua. Sem escalas de poder e autoridade. E eu queria uma convivência diária com pessoas maravilhosas, chatas, extraordinárias, azuis e ironicamente bem-humoradas e distantes da passagem do tempo. Gente jovem, da minha idade, com interesses em comum. Sei lá.
Eu acordo feliz. Sim, acordo. De verdade. Pq minha felicidade é feita de coisas intimamente pessoais. Assim redundante mesmo. Deus sabe. Eu disse só, não triste. E no meio de um minuto solto e perdido eu penso em gente que está longe e que eu realmente queria que estivesse aqui comigo. Penso nelas* que moram praticamente em Mordor, enquanto eu fumo meu cachimbo aqui no Condado. E o único amigo diário sumiu. Simplesmente sumiu.
E os dias vão seguindo. Fora o cinema garantido das quarta-feiras, para manter minha sociabilidade no nível mínimo, minhas atividades são solitárias e unicamente acompanhadas das mais diversas loucuras que a minha pequena cabeça pode criar.
E vez ou outra eu perco a paciência com determinadas pessoas, que teimam em serem as mesmas. Ou que mudaram e acham que foi pra melhor. Eu enjôo das pessoas que se mantêm assim. Parte das vezes eu tento ser amigo, ouvinte, companheiro, mas tem horas que não dá. Não dá mesmo. O gosto do açucar enjoa e eu preciso de um bom tempo pra sentir vontade de provar de novo.
E mais. Nessas horas minha consciência e meu desejo travam uma batalha Jedica. Pq a vontade e inclinação natural é de dizer a verdade. Nua e crua. Aproveitando toda a sinceridade que a mim foi concedida nesses anos de vida. Mas as pessoas são inseguras e necessitadas de boas afirmações. E a consciência pesa, me faz refrear as palavras e o meu jeito. Tá bom, tá bom. Pouca parte das vezes eu me contenho. Mas se a consciência não pesasse… pessoa mais amável ainda eu seria.
E o que isso faz? Faz com que eu deseje pessoas que eu não enjoe, pra fazer nada. Esperando outro punhado de estrelas cair do céu. E que sem esforço, entendam ao menos parte das coisas que eu tento dizer.
Alguém quer gastar o tempo fazendo um pouco de nada comigo?
E insisto em dizer que eu não sei o que é xaudadi. E não tente me explicar.