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medo


08:01 am, iulo
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macho man

Eu sou um cara formidável com bichos. Da vez que encontrei uma aranha marrom DO TAMANHO DA MINHA MÃO lá na cozinha, eu:

  • calcei um tênis, meias e vesti a camisa (?).
  • fiquei em pé na porta da cozinha com o notebook na mão pesquisando ‘aranhas marrons’; um olho no notebook e outro na aranha.
  • descobri que aranhas marrons são peçonhentas.
  • suei três litros nos poucos segundos que levei pra ler a informação anterior.
  • liguei para a pequena vir logo pra casa me ajudar (?).
  • não deixei ela me ajudar, porque eu não queria que ela morresse ou algo assim.
  • liguei para os bombeiros perguntando se alguém podia ir lá me salvar (juro).
  • os bombeiros são fela da puta, daí liguei para o Centro de Controle de Zoonoses.
  • o pessoal do CCZ também é fela, mas com educação.
  • morri, que nem esse infeliz aqui.

Mentira, eu tô vivo. A minha sorte é que enquanto todo o processo acima ocorria a aranha escapou por uma fresta na janela. Tá bom, tá bom. Sei que fui eu que escapei dela. Maldita.


07:00 am, iulo
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lady medo

Eu gosto bastante das músicas da Lady Gaga, atualmente é o que eu mais tenho escutado. Mas isso aí já tá passando dos limites!


- I’m your biggest fan, I’ll follow you until you love me
Papa-Paparazzi -

Pausa para reflexão:
  • lagosta de cristal na cabeça (WTF?)
  • pulseira de pé de galinha
  • roupa de plástico transparente
  • esparadrapo nos mamilos
Não dá não. Me causa inveja profunda, porque se eu quiser sair de super-man na rua, minha mãe não deixa.


12:00 am, iulo
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muu

Eu ando surtado com esse lance de comida. Não consigo mais comer nada industrial em paz por causa dessa história de gordura trans. Aí tiraram a trans e colocaram um óleo de não sei que raios pra substituir a trans, que é menos nocivo e tem quase a mesma função da trans (deixar o alimento crocante e sensual). Porque a trans, além de aumentar o colesterol ruim, diminuía o colesterol bom. 

Mas o novo componente que substitui a gordura trans - que eu vou chamar de óleo de árvore de natal, porque eu não lembro o nome e tenho preguiça de procurar no Google - não reduz os níveis de colesterol bom, mas em compensação triplica a quantidade de gorduras insaturadas existente nos alimentos. É verdade, eu não sei o que nada disso significa; eu sou como um daqueles camponeses que saem correndo ao menor grito de OS INIMIGOS ESTÃO CHEGANDO, mesmo que os inimigos sejam, sei lá, uma manada de ratos

Eu só sei que não quero morrer estragado, e muito menos me tornar um velho capenga sem saúde, com uma perna de pau e um tapa-olho (?). 

O lance é que, veja que absurdo, agora o limite recomendado pelas organizações mundiais de saúde (mas no plural, iulo?), é de 3 bolachas de sal (o exemplo das bolachas de sal é para tomarmos como parâmetro geral, amigos dromedários!). Imagine, quem é o ser humano que pára pra comer bolachas de sal e come somente 3? 

Ih, já comi 3 bolachas de sal, é melhor parar, o óleo de árvore de natal vai entupir o meu cerébro

Eu não sei mais o que fazer, comida industrializada tem tanta porcaria que eu vou enfiar biscoito no tanque de gasolina do meu carro pra ver se ele anda mais rápido. 

O fato é que agora eu como biscoitos com peso na consciência. E a moda de TODOS os produtos é fazer propaganda na embalagem: 0% de gordura trans. Das primeiras vezes que li isso nos pacotes, eu fiquei feliz. Agora, ao invés disso me acalmar, me deixa tenso. Porque ontem foi gordura trans, hoje é óleo de árvore de natal, amanhã vai ser o quê? Tem gente aí me chamando de lunático, mas no dia que você acordar banguela, com um terceiro olho no meio da testa, sem pinto e com um rabo, aí eu quero ver. 

Pare pra pensar, é como se na época medieval você adentrasse numa taverna e levasse uma garfada nas costas, assim de grátis, fato corriqueiro. Aí o rei da terra média se rebelou e proibiu isso, por causa dos males que isso causava à população. Então as tavernas passaram a colocar nos seus letreiros: venham tomar a mais pura cerveja de cabritos montanheses - 0% de garfadas. Como assim, cara? Eu tenho que ficar feliz porque os infelizes tiraram a gordura trans que me FAZIA MAL? Pior que eles são descarados e escondem toda a verdade. Agora você não toma mais garfada ao entrar na taverna, em compensação, o garçom tuberculoso cospe na sua bebida (metáfora para o óleo de papai noel, alôw?) todas as vezes e ninguém vê. 

Outra, quem são essas organizações mundiais de saúde? Quem se organizou? Quem começou tudo e porquê ninguém me chamou? Como é que elas conseguem medir a quantidade exata de miligramas de nanos de milisegundos de certos componentes existentes na comida? Eles possuem teraupetas especializados em conversar com os alimentos? Oi, você aí brigadeirão, quantos gramas de aminoácidos você possui? Pode revelar, rapaz… olha lá, a receita federal vai te pegar, hein cara

Melhor ainda!, como é que eles conseguem saber qual é a quantidade máxima de gordura do tipo pseudo-neuronal-amniótica-explosiva que meu corpo consegue suportar diariamente? 

Eu não sei. Eu sei que a partir de agora só posso comer 3 bolachas de sal. Até o dia em que eles descobrirem que comer, como um todo, faz mal e mata. Eu vou virar um monge budista e me alimentar somente de grama. Eu vou virar o Mahatma Vaca. Um ser sábio e ruminante.


12:00 am, iulo
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epifânia

Há momentos na sua vida que são reveladores. Essa madrugada, por exemplo, às 4h20 da manhã pousou um bicho gigantesco no meu ombro esquerdo, que me fez acordar instantaneamente num salto, acender a luz, sair do quarto, do lado de fora olhar que ser era aquele e fechar a porta em total panic attack mode.


Era uma espécie de cigarra, só que o bicho era totalmente gordo e fazia um barulho terrível com as asas ao voar, e o animalzinho do inferno tinha uns 3 ou 4 dedos de comprimento. Ou seja, me ferrei. Até agora eu não entendi como é que, dormindo, eu detectei de maneira tão precisa que um bicho havia batido no meu ombro, acordei tão rapidamente, me levantei e fechei a porta em busca de tempo para pensar. Eu sou aBeatrix Kiddo e não sabia. O fato é que levei 1 hora para me livrar do bicho, isso com uma vassoura numa mão e a tampa da lixeira na outra se fazendo de escudo. 

A revelação desse momento foi que, ao olhar para um líquido no chão e perceber que aquilo era meu suor, ficou claro que eu sou muito mais mocinha do que eu pensava. Eu até reajo com calma diante de seres humanos malignos assaltantes que ameaçam furar o meu cerébro, mas topar com insetos maiores que 2cm não é comigo. Se não fosse a obrigação masculina da coisa… amigos, eu teria ido dormir em outro quarto. 

Bom, não vou contar todos os detalhes dessa 1 hora; só o fato de eu ter suado em bicas mostra que a coisa foi longa. Mas quando eu finalmente acho que o bicho escapou por trás da persiana, vou lá trocar os lençois e todas as fronhas dos meus travesseiros, coloco todos os itens que tirei do meu quarto de volta (cadeira, roupas, edredon), tomo um banho e, ao dia já amanhecendo, ouço aquela MERDA daquele barulho de asas se batendo de novo. PÂNICO. 

Dessa vez eu deixei aquele monstro ir lá pra sala. Às 5h da manhã eu realmente achei que ninguém merecia caçar um ET gordo do qual se tem medo. Fechei a porta do corredor (que dá acesso ao quarto de mãe e irmãs), abri bem a janela da varanda da sala, voltei pro meu quarto, tranquei a porta e torci com todas as minhas forças para que o bicho encontrasse sozinho seu caminho para casa quando a luz do sol batesse em seus belos olhos. Eu já dormi, já acordei e até agora ele não apareceu, mas o estado de choque perdura, já me assustei com 3 poeirinhas que passaram voando aqui na minha frente. 

o o o

Ainda é impressionante como esses bichos conseguem chegar ao 9º andar de um prédio. E dessa vez foi muito mais aterrorizante do que o espisódio com o grilo ninja.


12:00 am, iulo
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fobias

Ora então; tem cerca de um mês que a resistência do chuveiro aqui de casa queimou. Por duas razões muito simples eu não tomei uma atitude de macho e fui lá trocar. A primeira delas é que eu sofro de medodemorreeletrocutadofobia. Para quem não sabe, aqueles que sofrem de medodemorreeletrocutadofobia têm medo de morrer eletrocutados. Eu já tomei choques no chuveiro e tive vontade de chorar. Logo, nada de ir lá me arriscar de maneira imprudente naquele mecanismo assassino e selvagem enviado das profundezas para me machucar. 

A outra razão é que banho frio, especialmente cedo da manhã, é uma emoção. Eu entro no chuveiro feito Rocky Balboa, com direito à musica do filme e tudo, pulando e dando socos no ar. Óbvio que essa manobra sem vergonha para espantar o frio pode resultar em acidentes graves ou falecimento devido a escorregões e eventuais impactos contra o vidro do box. Mas antes morrer escorregadio do que feito um idiota eletrocutado (?). Quer dizer, deixa eu pesar duas sentenças e analisar o nível de mongolismo delas: 

1. Olha, o cara foi trocar a resistência do chuveiro e morreu com um choque
2. Olha, o cara não trocou a resistência elétrica e ficava dando pulinhos no chuveiro; escorregou e morreu

-Aris, dá sua opinião. 
-Sem comentários. 

Então tá. Mas mudando mais ou menos de assunto; esse lance de fobia é tão legal quanto banho gelado (?). Fobias são interessantes, especialmente pela forma como os nomes delas se compõem. Você escolhe um nome qualquer, adiciona a palavra fobiano final e o resultado vai significar medo de alguma coisa. Algumas fobias: rabdofobia - medo de ser severamente punido; androfobia - medo de homens; megalofobia - medo de coisas grandes — as mulheres que sofrem de andromegalofobia são comumente conhecidas como lésbicas; dentre milhares de outras fobias, inclusive as amplamente conhecidas como a claustrofobia ou as mais óbvias como hidro ou pirofobia

O fato é que todo mundo adora fobias. Eu adoro. Eu gosto tanto que devo sofrer deafobicofobia, que é a palavra que eu cabei de inventar para aqueles que amam de fobias, mesmo que sofram de algumas delas (?). No linguajar comum, a afobicofobiatambém pode ser utilizada no lugar da palavra foda e suas contrações, como na sentença vamos dar uma afobicofobia? ou esse jogo é muito afobicofobico! ou, ainda,ah, vai ser afobicofobicar, seu afobicofocibo de uma merda!

Para provar e experimentar como todo mundo gosta de fobias, chegue amanhã no escritório, não dê bom dia a ninguém e fale bem alto no meio da sala:SESQUIPEDALOFOBIAAAAAAaaaaaa!. Se possível, dê um soco na mesa, enquanto afrouxa o nó da gravata. Todas as pessoas vão olhar para você boquiabertas e curiosas, querendo saber que fobia é essa. E depois que você explicar para aquela dezena que ousou se aproximar, eles vão te achar o máximo, e logo você será conhecido em todo o prédio. 

Fobias também são uma ótima forma de puxar papo com as gatinhas. Por exemplo, tente iniciar uma conversa com o broto falando oi, meu nome é Paulo Filéu e eu tenho um primo que sofre de asteriscofobia, tudo bom? E no lugar do asterisco você inventa qualquer palavra e fornece qualquer explicação não-plausível, para tornar a coisa ainda mais interessante. Tipo: então, gatinha, pirectelecostrelecfobia, é bem.. medo de alicates de unha, sabe?. E aí já era, ganhou a mina com um papo suuperrrrrr cabeça. 

Tá, Parei. 

o o o

Bom, enquanto isso eu continuo pulando no chuveiro até tomar vergonha na cara e ir chamar o brother da eletricidade para dar um jeito naquilo. Ainda bem que eu não sofro de moviescorregohidrosapofobia, que é o nome bonito para quem tem o medo de escorregar num sabonete enquanto se está pulando no chuveiro.


12:00 am, iulo
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esquálido

Eu sofri uma tentativa de assassinato. Bruta e violenta. Inclusive. Estou deitado na minha cama, o relógio marca quase 23h00; flerto com o sono. Minha cama fica abaixo da janela, que por sua vez é adornada com uma persiana vertical que quase sempre está fechada. Com um olho aberto e o outro em crise, embaralhando as letras das páginas e sonhando acordado com mousse de maracujá, percebo que do meu lado direito, na porção inferior da persiana jaz um ganhafoto ninja, pronto para me dar o bote. Tá, não era bem um ganhafoto. Ganhafotos são gordos e melequentos, e rosnam. Era um bichinho bonitinho assim, um verde bem claro, acho que é o que chamam de esperança. Agora, veja que idéia, o animal tenta me matar e dão a ele o nome de esperança. Ele tinha que se chamar caosdestruiçãoinfórtunioterremotoou qualquer coisa que o valha. 

Eu tenho problemas graves com bichos e sujeira e afins. Eu lavo as mãos 326 vezes por dia. Evito afagos no meu cachorro porque obrigatoriamente, ao final, tenho de ir em busca de água e sabonete. Não deixo a namorada me pegar com a mão suja - sendo que o atributo mão suja é atribuído por mim de acordo com critérios altamente subjetivos e arbitrários - brigo com minha mãe quando ela me pede para pegar algo melequento na cozinha e não como pipoca no cinema. Isso para as coisas do dia-a-dia. Quando a situação envolve animais selvagens, ferrou tudo. Sou acometido por uma mistura de medo com asco, que se traduz em arrepios pelo corpo e um leve embrulho no estômago. A questão é que eu moro com minha mãe e duas das minhas irmãs, fato que me torna indubitavelmente o homem da casa; o macho-alfa, imbuído do nobre dever de promover a matança de seres estranhos que adentrem o nosso lar. Mesmo que isso signifique que eu precise tomar 6 banhos e ficar em estado de choque durante as 3 horas seguintes. 

Bom, o grilo falante do Pinocchio veio me visitar e já tinha estragado meu sono, afinal eu havia saltado da cama e me colocado em estado de alerta total, prontamente preparado para qualquer hecatombe mundial que ocorresse em seguida. Acalmados os meus sexto e sétimo sentidos e a pulsação sanguínea que libera os meus poderes sobrenaturais, fiz a primeira tentativa de solução do problema, que foi devolver o meliante ao seu habitat natural. A essa altura, o habitat natural da criança era simplesmente o ar que preenchia o grande vazio exterior do 9º andar do meu prédio. Por sinal, como é que aquele jumento foi parar lá? Enfim. Com o bicho preparando o seu bote mortal na ponta direita da persiana, segurei a ponta esquerda e a levantei, com o intuito de elevar o grilo à altura da janela e assim poder desferir um golpe certeiro com o instrumento mortal de ataque dos Jedis urbanos (vulgo, sandália). Golpe este que mandaria o cretino para outra dimensão astral. 

O legal é que, com a ação de elevar um dos lados da persiana, formou-se uma ladeira. O irracional do bicho certamente pensou que aquele era o momento ideal para fazer um hiking maroto e veio caminhando em minha direção. Simplesmente. Prontamente eu domei meu instinto interior de fuzilá-lo com uma emanação de cosmo supremo e baixei a persiana de volta ao seu ponto de origem. Ele, obviamente, ficou puto por ter a sua diversão interrompida, recobrou os sentidos e lembrou-se afinal qual era a sua missão: me assassinar. Jogou-se da persiana em minha direção, num vôo rasante e cruel. 

Bravamente desviei-me da tentativa de estupro. O bandido bateu na minha perna direita e caiu no chão. Eu pensei: fodeu negão!, vou ter que interagir com o bicho. Por interagir, entenda: retribuir a tentativa de morte. Mas aí eu pensei que matar aquele grilo maldito iria acarretar na formação de um vatapá verde no piso branco do meu quarto. E depois eu teria que limpá-lo. Sem falar que o maior bicho que eu houvera matado na vida foi uma lagartixa, mesmo assim, quando da minha puberdade e a embriaguez de hormônios me dissera de maneira inconsequente, hipnótica e zumbística: pegue este pedaço de pau e mate-a, mate-a, MATE!, aí eu fui lá e, pimba, matei a pobre da lagartixa com uma paulada no meio do corpo. Fiquei 4 dias sem dormir, completamente traumatizado. Então decidi que não tentaria mais ser homem o bastante para matar qualquer ser-vivo maior que uma barata. 

Dado esse pequeno histórico, tive uma idéia genial. Peguei uma camisa qualquer que eu já não usava com tanta frequência e joguei sobre o bicho, com o intuito de enrolá-lo e lançá-lo fora do meu reino. Vamos relevar que o grilo radioativo e fluorescente era detentor de uma inteligência infinitamente maior que a minha e conseguiu escapar da camisa por 2 ou 3 vezes. Na última tentativa, joguei a camisa, enrolando-a bem com os pés ao redor do verde-do-abismo, envolvi as mãos em sacos plásticos, capturei a camisa, dei uma leve apertada com o meu polegar opositor para o animal saber quem manda nessa merda. Dirigi-me até a sala, onde a janela é maior, e lancei através dela o conjunto de 60% algodão + 25% poliéster + 15% bicho-nojento que se encontrava em minhas mãos. A camisa foi e o grilo ficou. 

o o o

Nessas horas eu sinto a imensa falta de ter um dragão de estimação chamado Toby. Simples. Toby!, pega o grilo. Solta o grilo. Toca fogo nele. Pisa. Morde de novo. Mastiga. Cospe. Incinera. Lambe as cinzas. Agora engole. Arrota. Isso, Toby - coisa mais linda do papai. Toma um biscoitinho, toma.


12:00 am, iulo
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cometi um erro

Raspei meus pentelhos.


12:00 am, iulo
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Eu sou um cara tão absurdamente fantástico. Ontem indo ao cinema, desço do carro da minha namorada e, normalmente, bato a porta. Que por sua vez recusa-se a fechar. Insisto mais uma vez. Ela ainda entreaberta. Não satisfeito, repito o feito novamente, para que a porta igualmente não se feche. Decido-me por verificar qual objeto de incômodo obstruía a minha gentileza. Ao constatar que não era o esperado cinto de segurança, indago-me rapidamente sobre o que seria. Olhando para baixo, percebo, não muito preocupadamente que, sim, era o meu celular. 

Esse agora permanece quase morto. Com uma expressão feliz, por causa do mosaico roxo, preto, e um degradê azul formado em sua face em decorrência do vazamento do display. Eu não enxergo nada. Não me mandem mensagem, pq simplesmente ela não será lida. Ainda recebo ligações, creio eu. 

Nem um ano fez ainda o pobre. O mais incrível é que na tela deste que agora quase jaz em descanso eterno, já fora criada anteriormente uma pequena mancha roxa do tamanho da ponta do meu dedo mínimo. Meu celular anterior eu já havia mandado metade da tela e seus pontinhos pro espaço com minhas peripécias de criança desastrada. Só acontece comigo. Amazing

-Contratam-se babás.


12:00 am, iulo
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disk galinha preta

Procura-se aspirantes à gari [e catadores de lixo em geral] que não tenham medo de macumba, de satanás, de gente que gosta de se aparecer, do Felipe Dylon ou de entidades malignas e assustadoras afins

1. Trabalho mal remunerado para recolher os agdás de macumbas deixados diariamente pelas ruas de nossa bela Salvador. 
2. Não nos responsabilizamos por: Farofa no olho ou ingestão acidental de galinha nem por chute intencionado ou desproposital no material de recolhimento. 

***

-Pois é… 
-Né… 
-E aí, vamos fazer uma macumbinha pra matar o tempo? 
-Oba, eu trago a galinha. 
-Tem farofa do almoço de ontem na geladeira. 

***

Eu poderia ficar rico montando uma Lan Macumba no lugar das eventuais Lan Houses. Ou montar o site: Macumba On-line! Encomende já a sua para aquele seu desagrado, tia ou sogra. Temos farofas de todos os aromas e galinhas pretas de todas as cores e tamanhos

***

Pq eu nunca encontro uma dessas com dinheiro? Todo dia que eu chego no trabalho encontro aquela farofada no chão mas nada de dinheiro. Nem pra isso serve.


12:00 am, iulo
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sem cueca

Uma breve história sobre os metódos pouco ortodoxos de educação da minha mãe, aplicados sobre a minha pessoa. 

Quando guri, magrelo, ainda mais cabeçudo e esmulambento, eu andava com aquelas camisetas regatas com a gola frouxa. Eu tinha o hábito feliz de mordê-las, babá-las e deixá-las com um aroma desagradável. Depois de muito reclamar, minha mâe chega com um lençol na mão e simplesmente me diz que vou ter de comê-lo. Até o fim. Nâo vou dar mais relatos sobre a cena iulo com 1kg de lençol na boca chorando e babando. Pergunte se eu comi mais alguma camisa novamente. 

Pouco mais tarde eu desenvolvo a habilidade ninjitsu de vir andando pelo corredor da sala, dar uma espécie de estrelinha apoiando as mãos no forro, e cair de cabeça pra baixo no sofá. E lá permanecer com as pernas pra cima, plantando bananeira no canto da sala. Depois de muito reclamar, minha mãe me coloca pra fazer o mesmo numa cadeira, parecida com aquelas de praia, que se encontrava na varanda. O fato é que me doeu o pescoço em muito naquela armação de ferro. Ela, como boa artista, até hoje acha que a infabilidade do metódo é devida à sensação de enjôo que me acometera ao olhar para o céu de cabeça para baixo. Os meios já não importam mais. Algum dia mais eu plantei bananeira no sofá da sala? Tão inocentes esses leitores. 

Depois de mais velho, mãe insistia para que eu levasse o traste do cachorro para passar inúmeras vezes ao dia. Fato tal que contribuiu para eu não querer mais papo com ele. Com frequência eu nâo o fazia, ele à urinar pela casa, minha mãe à me gritar, eu à querer espancar o animal e o circo formado. Depois de muito reclamar minha mãe finalmente quebra um ovo cru no chão do meu quarto, joga raspas de lápis de cor, catchup, maionese [leite em pó, se não me engano] e risca-o com lápis de olho. Explica-me com todo carinho do mundo que era aquilo que ela sentia quando o animal fazia o que fazia pela sala. 

O cachorro é rebelde e continou fazendo artes pela sala. Mas a culpa não foi minha. 

Agora, aos 19 anos, por ser o mais cedo à acordar da casa, e pelo fato do banheiro se encontrar perto do quarto dela, desenvolvo o hábito de não dar a descarga pela manhã, buscando não incomodar o sono alheio. Dito isso, ontem à noite fui informado de que se o fizesse mais uma vez, sofreria consequências drásticas. Dito e feito. Hoje pela manhã, saio do chuveiro, abro a porta e dirijo-me para o meu quarto. No caminho, ecoa o som frio e denso pela casa: iulo. Ferrou. Volto-me para o banheiro, aperto o bendito botão. 

Avisado de que sofreria, minha mãe em toda sua sabedoria, eu em toda minha falta de noção, e nós dois vivendo aquela relação saudável filho-maduro-crescido-que-deveria-ser-tratado-com-mais-dignidade-pq-vai-fazer-20-anos e mãe-louca-com-raiva-gritando-às-seis-horas-da-manhã, ela me informa que para aprender, meu celular seria confiscado por uma semana. Volto para o quarto. Onde está meu celular? Rá. Ela foi mais rápida. 

E olhe que eu corria quando ela queria me bater. Enfim. Estou sem celular o dia todo. Não me liguem, não mandem mensagem. E chorem. 

O legal também é que eu sem celular é que nem quando estou sem perfume: sinto como se estivesse sem cueca. E melhor, no meio do caloroso acontecimento, saí de casa apressado, esqueci-me do perfume E do desodorante. 

Todos juntos faremos uma pausa para reflexão em pró ao dia de iulo. 

-Ah, seu rídiculo. 
-Aris, se eu estou sem celular, você também está. 
-Mãaaae. 

Então não me perguntem porque eu sou assim.


12:00 am, iulo
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express

Das pequenas alegrias que a vida nos concede. Essa semana no ponto de ônibus, na minha frente uma baixinha linda. Um absurdo. Um crime. Casaquinho, saia jeans. Comportadinha. Nem queria que o ônibus chegasse. De tão pequenina a criatura, achava que ia se partir com o rastro dos ônibus. 

De repente, tomada por um comichão sem controle, moveu seus dedinhos em forma de pinça e tchan. Ui. Foi-se com toda falta de pudor tirar-lhe a caçola dos fundos. Foi uma coisa meio pesada. Absorto com a cena, parei de prestar atenção nos ônibus. Era aquilo uma violência tamanha que ela poderia ser presa. Nunca tinha visto tanta indelicadeza para uma ato tão corriqueiro. Já não bastasse a primeira e indescritível tentativa, ainda insatisfeita com os resultados, tentou novamente, e com um esforço ainda maior, seus dedinhos voltaram-se contra si. Com um ímpeto agressivamente maior, numa busca desenfreada por onde se segurar o objeto de incômodo. 

Eu quase grito um nãaaaaaaaaaao cinematográfico. Era demais. Era violento, e sim, era fundo. O mais bonito de tudo é que no fim ela moveu as perninhas pra fora, apoiando-se com os lados dos pés, como se tentasse colocar as coisas no lugar. 

O embaixador da Angola enviou-lhe uma carta alegando que aquilo era um desrepeito para com os ritos do seu país. Bush disse que aumentaria os subsídios para os comerciantes de roupas íntimas da américa. Os motoristas de ônibus ameaçaram fazer greve. 

Eu acho que ela fez um auto-exame de prostáta em si mesma. Naquela dia tive dificuldades para dormir. Medo.


12:00 am, iulo
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estou com medo

Eu não consegui entender muito bem o que é que a Vivo quis com isso.