Médico atualmente dá um ótimo criador de gado. Eu fui num ortopedista sexta-feira. Entro na sala, o cara no telefone, faz sinal preu sentar, nem se dá ao trabalho de apertar a minha mão, desliga o telefone e pergunta o que é que eu tenho. Wonderful.
Geralmente eu me irrito com pessoas que enrolam e não vão direto ao ponto. Mas quando se vai num médico, algum problema você tem e no mínimo algum tipo de preocupação. Então você precisa que o cara fale com você direito, seja atencioso, te faça um carinho, bote no colo, coisa e tal.
Eu só não fiquei mais chateado porque o bandido foi certeiro na identificação do meu problema. Até valeu a pena me sentir uma vaca na fila do abate. Bom, o problema é que há cerca de um mês eu vinha sentindo rigidez no dedo anular da mão direita. Eu não conseguia dobrá-lo corretamente, como se tivesse algo preso na articulação, e na hora de desdobrá-lo o dedo travava. O sintoma era pior pela manhã e ia embora quando eu fazia alguma atividade [academia, carregava compras ou dançava lambada com mamutes albinos].
Expliquei isso pro infeliz, ele mandou fazer alguns movimentos, segurando meu dedo, mordeu meu dedo, puxou o dedo, e ficou perguntando: dói? Eu disse que não sentia dor, que era só a rigidez. Aí o porquinho capitalista apertou minha mão, na base do dedo e disse: você está com um carocinho que atrapalha o movimento da polia [palavras dele] do seu dedo. E mandou eu mover o dedo com ele apertando o tal do carocinho. Plim. O dedo ficou como se tivesse nascido de novo. Solta o tal do carocinho, a polia emperra e o dedo fica rígido.
Não precisa dizer que eu fiquei o resto do dia apertando e soltando a polia, mexendo o dedo e me divertindo vendo como os seres humanos são uma máquina problemática.
Pior que o rei do gado passou anos estudando e se especializando pra descobrir um treco que eu poderia ter imaginado sozinho em casa, se eu tivesse um pouco mais de curiosidade e tivesse feito o auto-exame de mama no meu dedo.
Ah, abrindo um colchete: meu problema surgiu porquê eu inventei de mudar a maneira de digitar. Eu digitava rápido e até direitinho, mas não da forma ideal, com os dedos nas teclas corretas e tudo mais. Há uns 3 ou 4 meses, baixei programinhas para praticar digitação, parei no meio do caminho e realmente mudei a forma de digitar. Comecei a usar mais os dedos anulares, só que de uma forma errada. A prova disso é que a ridigez também ocorreu no mesmo dedo da mão esquerda, mas numa intensidade menor [por usá-la menos, claro. o backspace mesmo, passou a ser teclado com o anular da direita, que ficou problemático].
Portanto, se você já passou dos 20 e tá tudo bem com sua mão, não invente de mudar a forma como você digita por achar bonito. Você vai ter problemas mentais inteiramente desnecessários e desconfortáveis na sua mão.
Bom, e agora? Remédio e fisioterapia. Mas aí vem a melhor parte: Bruno Mezenga disse que se eu não ficasse bom, a morróida do meu dedo teria que ser removida. Eu fiz: hein? Ele pegou minha mão, desenhou um risco de 1 ou 2 centímetros com a caneta e disse que faria umaincisãozinha, anestesia local, coisa pouca. Cuma?
Lindimais. Médico fala dessas coisas de cortar e estripar e abrir e doer, assim, como se fosse simples como tomar uma aspirina. Incisãozinha, né? Vamos fazer uma incisãozinha na sua nádega direita, com anestesia local, pra ver se você gosta, seu agricultor descarado.
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A coisa boa disso é que rola a esperança de encontrar fisioterapeutas estupidamente lindas e passar 40 minutos de boca aberta, durante as sessões de exercícios dedísticos. Ao menos as fisioteraupetas e aspirantes a tal que eu conheço são bonitas que é uma beleza.