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divagações


12:00 am, iulo
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estranho inquilino

Triste constatação da velhice é quando você começa a ficar preocupado com os pêlos que nascem ao redor dos seus mamilos. 

Preocupante é quando num arroubo de revolta você passa o barbeador neles. 

Um passo ao fundo do poço é perguntar à esposa se ela notou alguma diferença. 

Decadência total é no dia seguinte você ir trabalhar com os mamilos coçando.


12:00 am, iulo
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lógica

Resolveu arriscar. Convidou seu antigo colega de colégio para uma visita. 

Nunca foram muito unidos. No passado, por uma ou duas vezes ensaiaram alguma amizade, mas por esses motivos tortos que ninguém conhece bem, nada deu muito certo. Por esses motivos ainda mais tortos, se encontraram muitos anos depois e mantiveram alguns contatos esporádicos. 

Com o convite feito, esperava de repente fazer um novo-bom-velho-amigo. E amigos nunca são demais, certo? Tudo corria calmamente em sua mente. Exceto por um detalhe. Enquanto arrumava o local para receber a nobre visita, tentava se livrar do medo que lhe enrolava os pensamentos: discorrer sobre os tempos antigos, amigos, estudos, tristezas e alegrias… e de repente acabarem mencionando algo à respeito dela

Haviam gostado da mesma garota. Ela nunca dera atenção especial à qualquer um dos dois. À época, nenhum dos rapazes comentava nada um com outro sobre o assunto, mesmo que implicitamente soubessem do sentimento comum pela donzela. 

Agora tinham crescido, se afastado, se formado, eram homens. Adultos. Sérios. Trabalhadores. Respeitados. E com o passar dos anos, essas paixões e esquisitices da adolescência são o tipo de assunto que costumam se tornar motivo de piada, discutido num tom jocoso e relaxado. Tornam-se até mesmo um aliviador social, um assunto em comum, unificador; o pequeno passo inicial rumo à intimidade. 

Exceto pelo fato de que ele não havia esquecido dela. Aquilo não era um assunto trivial. Não mesmo. Era assunto de morte. De raiva. De ira. De horror! Por alguns segundos arrependeu-se do convite feito ao colega. Mas já era tarde demais para desfazer qualquer coisa. 

Por precaução, caso a história viesse à tona, colocou uma régua atrás do sofá. Estaria pronto para medir o tamanho do seu pinto e encerrar qualquer eventual discussão sobre o assunto.


12:00 am, iulo
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carlinha

Eu realmente gosto de ligar para esses tele-atendimentos onde, antes de mais nada, pedem mil confirmações dos seus dados. A partir de agora, toda vez que eu ficar triste ligarei pra lá. É que os caras fazem perguntas para as quais você tem todas as respostas! Tem coisa mais sensacional que isso? Eu praticamente me sinto um Einstein ao fim de uma ligação dessas. 

O cara pergunta meu nome completo e eu cá penso: “pô, essa é fácil, hein, bro?” e respondo voando. Aí ele começa as mais difíceis. Telefone, endereço, rua… no CEP você já fica meio cabrero, né? Aí vem a prova final!, informar o CPF! Putz, eu vou ao delírio, faço uma preparação como quem vai iniciar uma maratona, cuspo todos os números e a voz do outro lado responde: “correto, senhor!”. Nossa, orgamos-múltiplos-swingados-extra-siderais. É uma satisfação muito grande saber o meu próprio CPF, é uma carta de autonomia, sabe?, um atestado de sensualidade intelectual, é praticamente uma garantia de que eu posso, sei lá, comprar as minhas próprias roupas? 

Sim, é uma satisfação! Quase um vestibular de medicina. Tem vezes que eu fico tão feliz com as perguntas, que desligo o telefone no meio e ligo novamente só para responder tudo mais uma vez. Uh-ru! Da próxima vez que me pedirem o CPF eu vou responder: “cara, vou dizer do fim pro começo, pode ser?”. E vai ser uma festa no mundo dos tele-atendimentos, apitos, confetes, gritinhos, vários atendentes se reunindo no computador da pessoa que está falando comigo e um cartaz em cima dele dizendo: “este funcionário atendeu ao mais inteligente dos clientes!”. Muitos vivaship-hip-urras

Imagina no dia em que eu falar o meu CPF na língua do P, de cabeça pra baixo e em espanhol? Véi, a galera não vai se dar! 

Eu sou mesmo um gênio.


12:00 am, iulo
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muu

Eu ando surtado com esse lance de comida. Não consigo mais comer nada industrial em paz por causa dessa história de gordura trans. Aí tiraram a trans e colocaram um óleo de não sei que raios pra substituir a trans, que é menos nocivo e tem quase a mesma função da trans (deixar o alimento crocante e sensual). Porque a trans, além de aumentar o colesterol ruim, diminuía o colesterol bom. 

Mas o novo componente que substitui a gordura trans - que eu vou chamar de óleo de árvore de natal, porque eu não lembro o nome e tenho preguiça de procurar no Google - não reduz os níveis de colesterol bom, mas em compensação triplica a quantidade de gorduras insaturadas existente nos alimentos. É verdade, eu não sei o que nada disso significa; eu sou como um daqueles camponeses que saem correndo ao menor grito de OS INIMIGOS ESTÃO CHEGANDO, mesmo que os inimigos sejam, sei lá, uma manada de ratos

Eu só sei que não quero morrer estragado, e muito menos me tornar um velho capenga sem saúde, com uma perna de pau e um tapa-olho (?). 

O lance é que, veja que absurdo, agora o limite recomendado pelas organizações mundiais de saúde (mas no plural, iulo?), é de 3 bolachas de sal (o exemplo das bolachas de sal é para tomarmos como parâmetro geral, amigos dromedários!). Imagine, quem é o ser humano que pára pra comer bolachas de sal e come somente 3? 

Ih, já comi 3 bolachas de sal, é melhor parar, o óleo de árvore de natal vai entupir o meu cerébro

Eu não sei mais o que fazer, comida industrializada tem tanta porcaria que eu vou enfiar biscoito no tanque de gasolina do meu carro pra ver se ele anda mais rápido. 

O fato é que agora eu como biscoitos com peso na consciência. E a moda de TODOS os produtos é fazer propaganda na embalagem: 0% de gordura trans. Das primeiras vezes que li isso nos pacotes, eu fiquei feliz. Agora, ao invés disso me acalmar, me deixa tenso. Porque ontem foi gordura trans, hoje é óleo de árvore de natal, amanhã vai ser o quê? Tem gente aí me chamando de lunático, mas no dia que você acordar banguela, com um terceiro olho no meio da testa, sem pinto e com um rabo, aí eu quero ver. 

Pare pra pensar, é como se na época medieval você adentrasse numa taverna e levasse uma garfada nas costas, assim de grátis, fato corriqueiro. Aí o rei da terra média se rebelou e proibiu isso, por causa dos males que isso causava à população. Então as tavernas passaram a colocar nos seus letreiros: venham tomar a mais pura cerveja de cabritos montanheses - 0% de garfadas. Como assim, cara? Eu tenho que ficar feliz porque os infelizes tiraram a gordura trans que me FAZIA MAL? Pior que eles são descarados e escondem toda a verdade. Agora você não toma mais garfada ao entrar na taverna, em compensação, o garçom tuberculoso cospe na sua bebida (metáfora para o óleo de papai noel, alôw?) todas as vezes e ninguém vê. 

Outra, quem são essas organizações mundiais de saúde? Quem se organizou? Quem começou tudo e porquê ninguém me chamou? Como é que elas conseguem medir a quantidade exata de miligramas de nanos de milisegundos de certos componentes existentes na comida? Eles possuem teraupetas especializados em conversar com os alimentos? Oi, você aí brigadeirão, quantos gramas de aminoácidos você possui? Pode revelar, rapaz… olha lá, a receita federal vai te pegar, hein cara

Melhor ainda!, como é que eles conseguem saber qual é a quantidade máxima de gordura do tipo pseudo-neuronal-amniótica-explosiva que meu corpo consegue suportar diariamente? 

Eu não sei. Eu sei que a partir de agora só posso comer 3 bolachas de sal. Até o dia em que eles descobrirem que comer, como um todo, faz mal e mata. Eu vou virar um monge budista e me alimentar somente de grama. Eu vou virar o Mahatma Vaca. Um ser sábio e ruminante.


12:00 am, iulo
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esquálido

Eu sofri uma tentativa de assassinato. Bruta e violenta. Inclusive. Estou deitado na minha cama, o relógio marca quase 23h00; flerto com o sono. Minha cama fica abaixo da janela, que por sua vez é adornada com uma persiana vertical que quase sempre está fechada. Com um olho aberto e o outro em crise, embaralhando as letras das páginas e sonhando acordado com mousse de maracujá, percebo que do meu lado direito, na porção inferior da persiana jaz um ganhafoto ninja, pronto para me dar o bote. Tá, não era bem um ganhafoto. Ganhafotos são gordos e melequentos, e rosnam. Era um bichinho bonitinho assim, um verde bem claro, acho que é o que chamam de esperança. Agora, veja que idéia, o animal tenta me matar e dão a ele o nome de esperança. Ele tinha que se chamar caosdestruiçãoinfórtunioterremotoou qualquer coisa que o valha. 

Eu tenho problemas graves com bichos e sujeira e afins. Eu lavo as mãos 326 vezes por dia. Evito afagos no meu cachorro porque obrigatoriamente, ao final, tenho de ir em busca de água e sabonete. Não deixo a namorada me pegar com a mão suja - sendo que o atributo mão suja é atribuído por mim de acordo com critérios altamente subjetivos e arbitrários - brigo com minha mãe quando ela me pede para pegar algo melequento na cozinha e não como pipoca no cinema. Isso para as coisas do dia-a-dia. Quando a situação envolve animais selvagens, ferrou tudo. Sou acometido por uma mistura de medo com asco, que se traduz em arrepios pelo corpo e um leve embrulho no estômago. A questão é que eu moro com minha mãe e duas das minhas irmãs, fato que me torna indubitavelmente o homem da casa; o macho-alfa, imbuído do nobre dever de promover a matança de seres estranhos que adentrem o nosso lar. Mesmo que isso signifique que eu precise tomar 6 banhos e ficar em estado de choque durante as 3 horas seguintes. 

Bom, o grilo falante do Pinocchio veio me visitar e já tinha estragado meu sono, afinal eu havia saltado da cama e me colocado em estado de alerta total, prontamente preparado para qualquer hecatombe mundial que ocorresse em seguida. Acalmados os meus sexto e sétimo sentidos e a pulsação sanguínea que libera os meus poderes sobrenaturais, fiz a primeira tentativa de solução do problema, que foi devolver o meliante ao seu habitat natural. A essa altura, o habitat natural da criança era simplesmente o ar que preenchia o grande vazio exterior do 9º andar do meu prédio. Por sinal, como é que aquele jumento foi parar lá? Enfim. Com o bicho preparando o seu bote mortal na ponta direita da persiana, segurei a ponta esquerda e a levantei, com o intuito de elevar o grilo à altura da janela e assim poder desferir um golpe certeiro com o instrumento mortal de ataque dos Jedis urbanos (vulgo, sandália). Golpe este que mandaria o cretino para outra dimensão astral. 

O legal é que, com a ação de elevar um dos lados da persiana, formou-se uma ladeira. O irracional do bicho certamente pensou que aquele era o momento ideal para fazer um hiking maroto e veio caminhando em minha direção. Simplesmente. Prontamente eu domei meu instinto interior de fuzilá-lo com uma emanação de cosmo supremo e baixei a persiana de volta ao seu ponto de origem. Ele, obviamente, ficou puto por ter a sua diversão interrompida, recobrou os sentidos e lembrou-se afinal qual era a sua missão: me assassinar. Jogou-se da persiana em minha direção, num vôo rasante e cruel. 

Bravamente desviei-me da tentativa de estupro. O bandido bateu na minha perna direita e caiu no chão. Eu pensei: fodeu negão!, vou ter que interagir com o bicho. Por interagir, entenda: retribuir a tentativa de morte. Mas aí eu pensei que matar aquele grilo maldito iria acarretar na formação de um vatapá verde no piso branco do meu quarto. E depois eu teria que limpá-lo. Sem falar que o maior bicho que eu houvera matado na vida foi uma lagartixa, mesmo assim, quando da minha puberdade e a embriaguez de hormônios me dissera de maneira inconsequente, hipnótica e zumbística: pegue este pedaço de pau e mate-a, mate-a, MATE!, aí eu fui lá e, pimba, matei a pobre da lagartixa com uma paulada no meio do corpo. Fiquei 4 dias sem dormir, completamente traumatizado. Então decidi que não tentaria mais ser homem o bastante para matar qualquer ser-vivo maior que uma barata. 

Dado esse pequeno histórico, tive uma idéia genial. Peguei uma camisa qualquer que eu já não usava com tanta frequência e joguei sobre o bicho, com o intuito de enrolá-lo e lançá-lo fora do meu reino. Vamos relevar que o grilo radioativo e fluorescente era detentor de uma inteligência infinitamente maior que a minha e conseguiu escapar da camisa por 2 ou 3 vezes. Na última tentativa, joguei a camisa, enrolando-a bem com os pés ao redor do verde-do-abismo, envolvi as mãos em sacos plásticos, capturei a camisa, dei uma leve apertada com o meu polegar opositor para o animal saber quem manda nessa merda. Dirigi-me até a sala, onde a janela é maior, e lancei através dela o conjunto de 60% algodão + 25% poliéster + 15% bicho-nojento que se encontrava em minhas mãos. A camisa foi e o grilo ficou. 

o o o

Nessas horas eu sinto a imensa falta de ter um dragão de estimação chamado Toby. Simples. Toby!, pega o grilo. Solta o grilo. Toca fogo nele. Pisa. Morde de novo. Mastiga. Cospe. Incinera. Lambe as cinzas. Agora engole. Arrota. Isso, Toby - coisa mais linda do papai. Toma um biscoitinho, toma.


12:00 am, iulo
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tu-tu-tu tu pá!

Assim, eu acharia mágico se o Sherlock Holmes ao invés de falar elementar, meu caro Watson; dissesse: elementar, cumpadi Washington. Caraca, eu ia chorar.


12:00 am, iulo
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silvestre

Eu vou à praia de sunga. Portanto, fico com aquela marca branca ridícula na região do… errr, naquela região. Só que depois eu saio à rua com uma bermuda qualquer, que protege uma parte das pernas, mas deixa os joelhos expostos, fazendo com que nessa região eu fique praticamente um negão. Eu tenho os braços branquelos e desbotados. Eu sou um fenômeno. Acredito fortemente que eu deveria sair noDiscovery Channel como o incrível homem multi-colorido. Inclusive eu dançaria o tchan, com o dedo indicador entre os dentes e tudo mais, para provar a minhabaianidade. Não que isso tenha a ver com as minhas múltiplas cores, mas não se deve perder tais oportunidades, ahn? Se a Carla Perez ficou rica, porque eu não posso ficar? 

By the way, existe profissão mais entediante que narrador do Discovery Channel? Sei lá, é muito chato. Eu no lugar daqueles caras tornaria as falas mais divertidas e incluiria descrições non-sense, como pênis esbravejantes em cada narração: 

E então, se aproxima o grande hipopotámo com seu pênis esbravejante à busca de um matinho para se alimentar. Enquanto isso, o grande leão pardo dos olhos azuis, arrastando seu enorme pênis esbravejante, emite o chamado das andorinhas ninjas. As andorinhas se aproximam, e lançam seus shourikens que, cortando o ar feito pênis esbravejantes, atingem o pobre do hipopótamo. O grande hipopótamo morre; não sem antes dizer que também voltará - com seu pênis esbravejante. O culpado é o Sr. Leão, na floresta, com a chave inglesa. Ganhei.

o o o

Tá bem, já parei.


12:00 am, iulo
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my bear affair

Tudo bem que eu sempre achei a história desse urso Knut uma imbecilidade sem fim. Mas esse mamífero é tão vadia, tão vadia e descarada que até eu queria ter um caso de amor com ele. Odeio bichos fofos com todas as minha forças. Sério, eu queria dormir de conchinha com ele.


12:00 am, iulo
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II epístola de aris aos Juazeirenses

1 Então criou Deus a iulo. E disse: Serás Juazeirense. E nasceu à beira do rio São Francisco. 

2 E disse: Serás chato, bobo e implicante. Serás habilidoso com as palavras. Mas elas serão sua graça e sua perdição. Porque não terás a sabedoria de dominá-las ao seu tempo certo. 

3 Com suas palavras causará lembranças doces, mágoas e ira, e pelejas e contendas. E consertarás o caos e trarás um dispensável dissabor em momentos agradáveis. 

4 E te dirão entre os povos: Cale-se, iulo. E se revoltarás e ficarás emburrado. 

5 E não será bendito entre as mulheres. 

6 Até que Eu venha dos altos céus, e o tome para mim e não se ouvirá mais as suas bobagens pela terra.


12:00 am, iulo
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É declarado inimigo da humanidade toda e qualquer pessoa que me impeça de andar de cueca pela casa.


12:00 am, iulo
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- Eu me pergunto o que uma pessoa vai fazer entrando de carro num motel às 7h15 da manhã de uma sexta-feira com uma mulher toda descabelada do lado. 
- Tão inocente esse menino… 
- Hum?


12:00 am, iulo
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Antes os taxistas eram meus amigos. Eu achava legal aqueles caras que levavam a gente de um lado pro outro por uma quantiazinha. Depois eu cresci e comecei a achar que os motoristas eram mercenários demais. Afinal a quantiazinha não era tãoinha assim. Depois que eu tirei a carteira de motorista passei a notar o modo como os taxistas dirigem e fiquei com medo. Principalmente pq algumas semanas depois de ter tirado a habilitação, um destes seres colocou a sua grande cabeça suada para fora do carro e me gritou: baaaaarrrrrbeeeeeiiirrrrooooo! Fiquei magoado. Agora eu ando de táxi e fico vendo do lado de dentro as coisas legais que eles fazem pelas pistas. Uma graça. Dá vontade de levar um pra casa. E torturar.


12:00 am, iulo
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juice

Os processos de seleção de frutas e verduras são uma das maravilhas da sociedade que perduram por anos. Se não fosse essa atividade comum a todo ser humano inúmeras senhoras aposentadas teriam uma vida bastante tediosa. É muito interessante estar num supermecado e ver o ritual de escolha de frutas sendo estabelecido por pessoas de diferentes classes sociais. 

Eu, de fato, não sirvo pra isso. Primeiro que eu começo a selecionar um e quero analisar todos os itens da gôndola. E me divirto. O problema é quando sua mãe está do lado, se irritando e te impedindo de escolher as mandiocas, ameaçando te dar uns tapas. Uma falta de dó para com as crianças. 

Uma fruta você parte e olha a cor. A outra você passa a unha. Uma você cheira. Outra você lambe. Algumas você aperta. Freud diria que a seleção de frutas e verduras tem uma conotação sexual. Eu me limito a brincar de quebrar a ponta do quiabo. 

Melhor as que você tem que apertar no suvaco, dar um rodopio, bater palminha, fechar e abrir o zíper da calça 3 vezes, chutar o ar e coçar o mindinho. Tem as que você encosta o olho. Se arder é pq está bom. Outras você conversa. E aí melão, você está bem? Não converse com as cebolas. Elas são mal humoradas. E oscoentros são meio gays. Sempre desconfiei.


12:00 am, iulo
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Você percebe que está ficando velho quando a quantidade de brigadeiros que se come em aniversários cai drásticamente. Preocupação. 

-E quando você começa a achar simpáticas mulheres que antes eram simplesmente feias. 
-Ainda bem que eu não cheguei nesse ponto.


12:00 am, iulo
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Você já abriu a boca pra chamar os outros de jumento? É muito bom. Tão bom quanto fedorrrento. Além de genérico, sai da boca com uma alegria que flutua pela atmosfera. Além da bela significação, tem uma fonética muito aprazível. 

Deveria ser escrito com acento agudo no u. ú. Júmento. Pra dar ênfase à forma que deve ser pronunciado. Melhor ainda quando acrescentado um pronome. Seu jumento. E deve ser falado pausadamente, quase morrendo. 

E que raio de palavra é essa? Associar jumento à um animal de quatro patos nem é tão bonito. Jumento poderia representar uma planta, uma verdurinha. 

-Me passe o jumento, sim?
-Os jumentos estão bastante frescos hoje.

Enfim. 

-Seu jumento
-Ih Aris, estragou a alegria de quem queria me chamar de jumento nos comments. 
-Oops.