Há tempos que isso me incomoda. O mundo de hoje é um absurdo. Eu acho absurdo top models ganharem milhões para fazerem… nada. Colocar um biquininho minusculo (ou não colocar nada exibindo peitinhos mais ou menos), andar numa passarela, tirar umas fotos e ganhar filões de reais. Imagine todas as modelos do mundo; o quanto elas não ganham. Agora imagine se elas ganhassem somente o necessário pra comer, moradia, saúde, lazer, etc (sejamos generosos e vamos deixar uns 15 mil doláres por mês pras peruas). Se o restante fosse utilizado, sem roubalheiras, pra ajudar pessoas ou investir no desenvolvimento do país… seria lindo. Outra coisa são os jogadores de futebol. Eu nem sei qual foi a última quantia que eu vi o Ronaldo (ou os Ronaldos) ganharem, mas é outra devassidão. Eu acho válido uma pessoa ficar rico vendendo produtos ou provendo serviços que realmente sejam necessidade das pessoas. Apesar do Bill Gates ter 40 bilhões ser uma calamidade. Eu não sou contra o enriquecimento das pessoas. Sou contra o enriquecimento absurdo e sem porque enquanto tanta gente tá aí sofrendo. Sem porque, sim. Me dizer que a Gisele Bundchen é uma vendedora da própria imagem e que esperta é ela? Non, non, non. Futilidade e ponto. E eu até gosto dela, afinal, é brazuca. Mas…
Eu fico pensando, se a sociedade não tivesse evoluído tanto, será que eu teria emprego? Eu mesmo me considero um fruto egoísta desse capitalismo porquinho. Ninguém nunca precisou de um computador. Até que Pascal resolveu ajudar o pai dele lá com uma maquininha de computar. Mas todos nós viveríamos muito bem sem eu estar aqui escrevendo essas baboseiras e vocês acessando o pc para lê-las.
As evoluções da medicina, sim, devem ter sido necessárias. Apesar do bando de doenças que surgiram com as inventividades. A melhoria nas técnicas de agricultura também, pra sustentar essa tal população mundial que só sabe crescer. E a partir dessas evoluções, acho que se justifica todo o resto. Melhorias de comunicação, de sistemas, de estoque, de transporte; pra atender toda a parafernalha mundial. Daí, por exemplo, criam-se empresas que vendem comunicação para se falar com os lugares mais longínquos. Empresas que vendem sistemas para ampararem empresas de comunicação. Empresas que vendem sistemas que permitem que novos sistemas sejam feitos para amparerem outras novas empresas. Lei para sustentar toda essa bagunça. Advogados pra fingirem que a respeitam e a regulam. Teraupetas e psicológos pra aguentarem as doenças emocionais surgidos no meio disso tudo.
É uma angústia só.
Vá lá também: gastar-se 500 milhões (chute total) para construir uma plataforma marítima que permita a prospecção em águas profundas, para se extrair a gororoba preta, alimentar aviões e caminhões que vão permitir que o rango plantado aqui seja levado aí pra você comer; em qualquer canto do país. Mas… e pagar 50 milhões num quadro? Eu acho lindo, e adoraria ter um Picasso na parede do meu quarto. Admiro o cara pra caramba. Mas 50 milhões, people?
Apesar do chamativo desnecessário anti-tecnologia, no fundo, no fundo, todo o resto da máquina global se explica. A minha e a sua profissão; de gente normal. Mas ganhar milhões pra fazer coisa alguma ou pra vender coisas sem utilidade prática? [sem entrar nos méritos subjetivos da arte, cultura e new things] No way.
Quem paga preu mostrar meu peitinho?