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buzu


12:00 am, iulo
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Hoje eu fui ao cinema sozinho e sentei entre dois casais. Uma experiência muito emocionante. Mas tinha 700ml de Ovomaltine pra me consolar. Em se tratando do néctar sagrado, uma batalha medieval foi travada no Bob’s. Adorei o rapaz que faz os MilkShakes. 

O cara queria um Ovomaltine grande. A mulher entrega. Ele reclama que não estava consistente. Volta o néctar sagrado pras mãos do rapaz fazedor. Que por sua vez se estressa, enquanto a moça o acalma. Isso aqui não é sorvete não, é milkshake. Bradava ele com a amiga atendente, repetidamente, pra que o cara ouvisse e talvez ficasse com o seu psicológico abalado. Enquanto isso, o dono ovomaltine de sopa de água, olhava pra ele sarcasticamente. Afinal, ele não precisava dizer nada. O cara tava tendo que refazer mesmo com todas as reclamações e brados e castos rubores. Triunfo. E o cara era eu. Nunca se meta com meu Ovomaltine. 

Escola de Rock é um dos melhores filmes que eu já vi desde Senhor dos AnéisSpider Man. Sou holywoodiano, sim senhores. E não sei criticar filmes como a Ieda. Sorry. Mas assistam esse que é muito bom. 

Na volta, lá vem o buzão. Vida Nova. Passava na Paralela. Mas não tinha a máquina doSmart Card pra pagar meia. Como já passava das 21h iulo pega logo essa droga? Ou espera outro ônibus pq ele é mão-de-vaca? Além de correr o risco de ser assasinado na passarela? Ele pega logo. Pq além de tudo, iulo teme as lendas urbanas de Salvador. 

Lógico. Afinal as passarelas de Salvador são as maiores lendas existentes. Principalmente a 1a da Paralela. A maior desculpa pra ser acompanhado pelo bairro do Imbuí é Bora ali comigo que tem a passarela pra atravessar… Aiaiai. Eu nunca fui assaltado nela. Mas antes de entrar e depois de sair, várias vezes. Mesmo assim ela causa sensações bem diversas. Se você está nela à noite e encontra uma senhora baixinha vindo em sua direção já da vontade de chorar e de pular lá de cima. Afinal ela pode ser um anão de circo atirador de facas assasino miseravão. 

Nunca se sabe. Mas se as pessoas aqui acham que o Pelourinho e seu aroma de sumo de glândulas sudoríparas é bonito… Eu não discuto. A passarela é um antro de ladrões de alta periculosidade e acabou. Mas da próxima eu acho que vou pagar só 75 cents e pular na lagoa verde fugindo dos marginais, pq adrenalina de vez em quando é legal.


12:00 am, iulo
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Hoje minhas aulas voltaram. E eu estava com saudades do buzão. Algum cretino feio diria, aquele mar de cores e de gente. E de pertinências também. Ah! A humanidade. Não não, fico por aqui mesmo. Sem reflexões. 

E como as meninas perderam algumas matérias nesses semestres eu fiquei só em algumas outras. O que é muito ruim. Muito ruim mesmo. O que eu também não entrarei em detalhes. 

Mas o buzão, como forma natural de inspiração, me fez refletir sobre constragimentos. O que me fez concluir que a coisa que me deixa mas desconfortável é piada de tio. Uma coisa muito linda. 

Você dá uma passada na casa de seu tio, pra falar com um de seus primos geralmente. Aí aparece o seu tio de samba-canção coçando o peito e conta aquelapiada de tio que dói no fundo do globo ocular, causando uma coceira irritante na ponta do fêmur. 

Se você é mamão acaba rindo da piada de tio até não poder mais. Fica vermelho e chora. Eu não. Nesse momento pós-piada de tio milhões de coisas se passam em minha cabeça e a vontade é de me jogar pela janela. Mas a única reação provável e inevitável é levantar as sobrancelhas e fazer a típica cara de Ah, claro. Muito interessante isso

Ou então, aquela risada solitária, liberada numa única expiração, que parece mais uma tosse e pede um lugar pra enfiar a cabeça e não sair mais. Se não for o seu tio pode ser o tio do amigo, da namorada, do vizinho. Qualquer um. Mas que dói, dói.


12:00 am, iulo
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picolé de cachaça

Muito bom. Muito mesmo. Tô eu no buzão, quando entra um senhor de idade, explicando os seus 76 anos. De boné azul, camisa listrada, tênis, calça, uma sacola amarela e uma pasta verde. 

Depois da explicação ele começa a cantar músicas bem antigas, sambas, sobre picolés de cachaça rimando com praça. Muito boas. Muito bebo e muito lúcido. Sobre amores e vida simples. Do tempo em que sua avó era gatinha. 

Lógico que ele ia pedir um trocado. O mais sensacional é o argumento na voz grave. Dê um trocado pra construir um quarto e sala pra pessoas deficiente mental. Como eu. Isso numa alegria de cachaça contagiante. E repetidamente. Tem argumento mais perfeito? Quer namorar comigo? Pra ajudar uma pessoa deficiente mental. Como eu. 

Depois disso o remorso pode nos comer vivos. Olha o remorso pessoal. É melhor dar o dinheiro agora do que chegar em casa e ficar com remorso. Se o chuveiro sair água fria, é culpa do remorso. Se a tv colorida ficar preto e branco é o remorso. Se vc for usar o celular e ele cair no chão é culpa de quem? Do remorso. Eu realmento gosto de coisas sem nexo. 

E lá ia eu rindo no fundo do buzão. Enquanto as outras pessoas ficavam com suas caras amarradas. Depois eu que sou chato. Bando de múmias. Percam o nexo de vez em quando. A noção não, senão eu vou querer cuspir em vocês.