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baianos


09:00 am, iulo
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tu ta ta, tu tu pa ra ra?

Outro dia vi no fundo do carro de uma mulher o adesivo Sou chicleteira.

Fiquei me perguntando que tipo de vazio existencial leva uma pessoa a esse tipo de coisa. Pior que adesivo no carro, tem gente que tatua, por exemplo, a logomarca (?) do Asa de Águia no corpo.

Penso que uma pessoa que afirma tão publicamente ser chicleteira busca passar uma idéia de que não é tediosa, gorda e mal-amada, certo? Ela tá tentando mostrar que é gostosa, bebe cerveja, fica suada e pega herpes nos shows do Chiclete com Banana, né? E isso é uma coisa boa, certo? Ela é legal pacaraleos, certo? Todo mundo quer ser amigo dela, CERTO?

Antes que os axezeiros da Bahia inteira venham me crucificar, eu acharia babaca se no lugar do chiclete fosse qualquer banda, de qualquer estilo.

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09:15 am, iulo
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sanduíche de kani X galvão bueno

Ninguém deu muita atenção à notícia - até mesmo pela (pouca) relevância do fato em si - inclusive eu mesmo, que só tinha feito um comentário rápido no Twitter:

- Salvador me envergonha por causa do Rebolation? Carla Perez? NÃO! Vergonha mesmo é dar título de ‘Cidadão Soteropolitano’ para Galvão Bueno.

O ‘acontecimento’ se deu na noite da quinta-feira passada, dia 22 de abril. Mas até agora eu estou entalado com o assunto. Primeiro, claro, porque eu não gosto do Galvão Bueno e acho que ele é uma das figuras públicas mais imbecis no cenário brasileiro. Ponto. Ele é chato e irritante – ele é aquele tio sem noção que no natal faz a piada do ‘é pá vê ou pá comer? ’ e ninguém quer ter por perto, mas todo mundo fica calado porque é da família.

Como o narrador é famoso, todo mundo se faz de condescendente (como a TV Bahia, retransmissora da Globo, que fez uma matéria puxa-saco à respeito - se quiser ver o vídeo, clique aqui).

O segundo motivo de eu falar nesse assunto é a revolta que me causa a falta de foco da prefeitura de Salvador, sem falar de todos os absurdos escondidos por trás desse ato ‘generoso’.

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08:00 am, iulo
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baianos são estrelas do vídeo da semana

Baiano se recusa a colocar as mãos na cabeça em revista policial:

Vergonha alheia e uma mancha na malemolência baiana por parte:

  • do apresentador (que fala merda bagarai).
  • do revistado (tinha que ter colocado a mão na cabeça e ponto).
  • da policial (muito calminha quando deveria agir e agindo quando não precisava, só pra inglês ver).
  • do repórter (fazendo pergunta imbecil pro revistado).

Sorte desse companheiro que as câmeras estavam lá, senão teria tomado uma no joelho pra sentar.

Momento alto do vídeo aos 06m58s:

- Mainha, eu tô sendo preso aqui só porque eu queria urinar, mainha! Chame pai e mande vir aqui na Amaralina, mãe!

HAHAHA, MORRI.

o o o

Se quiser discutir com classe, vai lá no Buteco que o bicho tá pegando.


12:00 am, iulo
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a casa caiu, zé bin

Eu amo meus amigos mineiros. Amo a lora brasiliense. Amo a amiga paulista da minha mãe e amo minha sogra (que é uma mistura de muitos estados, mas eu a considero primariamente uma carioca). E provavelmente amo outras pessoas desbaianadas das quais não estou lembrando agora. Mas não há nada melhor que amar baianos. Porque definitivamente não existe nada como baianos. As pessoas dos outros estados são frias. Por mais carinhosas e doces que sejam (e, especialmente, educadas), são frias. E é inexplicável. Não dá pra pegar uma atitude ou uma frase deles e dizer ah, ráa! Aí está a sua frieza, morraaaa miseráavel!. Não, não. É algo subjetivo, que não dá pra pinçar ou traduzir. É como aquela falta de alho e limão no sabor da comida, mas que você não consegue identificar objetivamente. It’s weird. É uma polidez distante. É quando o milkshake de Ovomaltine vem mal batido, mas você tem vergonha de voltar e pedir pra moça bater novamente porque não sabe o que vai dizer a ela. Amar pessoas de outros estados é quase platônico e solitário. Nada se compara à malemolência baiana. O sorriso de um baiano ou um simples abraço preguiçoso ganha fácil de qualquer demonstração exacerbada de carinho dos outros povos brasileiros. E isso também não é passível de explicação. Mas é comprovado pelo selo Inmetro iulo de experiências transregionais (e nada de transexuais, obrigado). O calor dessa cidade me mata, mas eu tenho quase certeza que definharia aos pouquinhos vivendo em outro estado.


12:00 am, iulo
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por sinal

Eu tinha esquecido de contar sopre o japônes careca sem-vergonha que me apareceu na viagem pro Rio, em maio. Mas aí hoje eu lembrei, porque amanhã tô indo pra lá,again, só que dessa vez à trabalho. E, assim, viajar à trabalho é meio ruim, saca? Porque as cidades (como Maceió da última vez) são lindas e tudo, mas o esquema é super-cansativo. Porque você chega no aeroporto e vai direto para a empresa cliente/fornecedor da vez e fica lá o dia inteiro resolvendo as coisas e tal, e quase sempre sai bem além do seu horário normal de trabalho, afinal, as poucas horas no local têm que ser aproveitadas até a exaustão máxima do ser. Aí tarde da noite você pega um táxi da tal empresa e vai pro hotel. Aí não é bem a sua casa, saca? Ele até fica de frente pro mar, mas aqui em Salvador também tem mar, e eu meio que trabalho praticamente dentro dele, com sal na boca e tudo. 

Então ficar hospedado em hotel de frente pro mar não é necessariamente a oitava maravilha do mundo or something. Eu nem choro, nem nada. Especialmente quando você está cansado pacas, e já tá escuro, e você só quer saber de dormir, e esqueceu o shampoo. E hotel, por melhor que seja, sempre tem aquele cheiro de casa de avó, sabe? Cheiro de lençol guardado há muito tempo. E você ainda não tem as manhas emacetes com o ar-condicionado, para saber que momento ele vai ficar brutalmente gelado de acordo com uma escala x de tempo; daí você acaba indo dormir com calor e acorda de madrugada quase congelado - praticamente sem pinto. 

Ah, sem falar no sempre presente pânico de ser violentado durante a noite por algum funcionário inescrupoloso que eventualmente tenha acesso à chave do seu quarto. Ainda mais se tratando do Rio, né?, que o exército pode querer te entregar para os traficantes da facção inimiga. E baiano não é um povo assim muito querido, tipo, vida afora.. então, vai saber? Baiano só é lindo na sua própria terra. Aquela coisa; quando nego fala “ah, vamos pra Bahia!”; é aquela alegria, um fusuê, tipo “êeba, vamos para a Bahia, ver um monte de baiano, se esfregar nos baianos, suar com os baianos, passar acarajé no cabelo, vamo, vamo!”. Mas aí, quando tem aquele lance de “olha, tem um baiano vindo pra cá”, aí a galera já não tá mais tão na vibe assim. “Ah, baiano, gente? Aquele sotaque, aquele ser malemolente e com cheiro de moqueca de camarão? Ahh, o Caetano tava aqui semana passada já.. sei não, hein? Ihh…”. Baiano só é lindo quanto há muitos exemplares juntos e som alto, pipocando. Ou então com mar. Baiano com mar é uma obra de arte. Esplêndido. 

Mas então, em maio tava eu lá no pão-de-açucar com a magnânima patroa, vendo um monte de plantinha e ventinho e pedrinha e andando de bondinho. Tirando fotos, claro. Foto vai, foto vem. Eu tiro uma dela, ela tira uma minha. Aí passa o sem-vergonha do japônes careca, de mochila nas costas, que pergunta algo como “do you wanna help?, i can take a picture of you two”. Eu respondo um “oh, no, thanks, it’s ok” e sorrio simpaticamente. Ele faz aquela cara de quem está retribuindo a simpatia (afinal, ele nem sabe o que é um baiano, nem do que somos capazes), vai andando e larga um: “she is pretty, man!”. 

Pô, japa? Eu sei que ela é, né? Mas aí eu fico meio sem reação; nem deu pra largar o automático “i know, i know”. Porque só no Rio de Janeiro, em cima do pão-de-açucar, é que você encontra um japônes de cabeça raspada falando (para você, o que é melhor) que sua namorada é bonita. Pior, só um japônes careca e sem-vergonha fala para você algo sobre sua namorada e conquista sua simpatia. Mas foi bom. Se você tiver lendo, japa, obrigado. Deve ter garantido o bom-humor da pequena pelo resto do dia - elogio internacional, coisa e tal. Mas assim, da próxima vai ter troco e eu solto um “thanks, weird bald japa safadão”, seguido de um fluxo quente de dendê no olho. E tenho dito.


12:00 am, iulo
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lack

Se você está por fora do assunto, o lance é o seguinte: o curso de medicina da UFBA foi mal na prova do ENADE. Instado a dar satisfações, o coordenador do curso flatulou na farofa e atribuiu o problema ao baixo Q.I dos baianos. Até aí nós teríamos ficados insanamente raivosos. Mas o amigo sem noção continua e diz que “o baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais, não conseguiria”. Aí é sacanagem! Eu que havia ficado puto, não tive como não rir. Na entrevista ele ainda diz que berimbau é instrumento para quem tem problemas cognitivos. Sensacional! A matéria você pode conferir aqui

O mais provável é que os alunos tenham boicotado a prova do ENADE, essa arte de menino querer ser engajado politicamente. Ainda mais depois que passam numa federal e começam a andar pela faculdade de calça jeans e sandálias havaianas. O fato é que eu tenho alguns amigos e conhecidos fazendo medicina na UFBA e todos são lindos e inteligentes. Até porque, a concorrência e o nível de cabeludice daquela prova de vestibular não permitiriam que qualquer um entrasse no curso. 

Enfim, o velhote se ferrou, teve que renunciar ao cargo, mas acho que a carta dele foi uma boa tentativa de se redimir (aqui). Não muda o fato de que ele errou feio, falou bobagem pra caramba - mas ao afirmar que “sou baiano, como de resto toda a minha família e os mais longínquos dos meus ancestrais” ele parece recobrar o bom-senso. 

Acredito realmente que ele falou aquele tanto de asneiras movido por pressões externas e etc etc. Certamente ele estava puto porque alguma gatinha de medicina não lhe deu a devida atenção, juntou mais um tanto de outras raivas e atirou para todos os lados. Tá cansado, tadinho. 

Não sei se ele vai continuar dando aulas, mas caso caia em ostracismo, espero que ele use do tempo livre para aprender a tocar berimbau, deitado na rede da sua casa, enquanto gasta o seu imenso Q.I para refletir e desvendar os mistérios do universo. Vai descansar, tio, vai. 

o o o

E façam o favor de divulgar nos seus respectivos estados que isso tudo é mentira e que os baianos são lindos. Além de excelentes reboladores de bundas. E comedores de acarajé. E que somos pioneiros na avançada tecnologia de fabricação de redes. E problema cognitivo tem a mãe ;D