Eu tenho uma certa obsessão por idade, altura e localização. Por um motivo muito simples: eu acho que esses fatores são determinantes para uma boa parte das características de uma pessoa. Eu tenho um blog há muito tempo, uns 4 anos, vá lá. Por conta disso, fazer amigos em cidades longínquas tornou-se um fato corriqueiro.
Diga-se de passagem, com essa vida apertada que a gente leva, o contato com os amigos distantes é muito mais frequente do que com os amigos da mesma cidade. Afinal os amigos da web estão há um ou dois e-mails de distância que, como leite com nescau, são frequentemente instântaneos.
Enquanto isso, os amigos da sua cidade estão há pelo menos um banho, uma escolha de roupa, uma retirada de carro da garagem, um percurso de 15 minutos… e, claro, um agendamento prévio, espremido entre a namorada, o descanso.sono, o blog, o trabalho, o violão e tantas coisas mais. Vida social custa caro.
Mas então. A maioria dos meus grandes amigos mora longe, muito longe. Na verdade, financeiramente longe, considerando que nenhum deles está há mais de duas horas de avião. Releva-se também o fato de que há essa altura eu já os conheço todos pessoalmente; seja porque eu tenha ido até eles, ou porque eles vieram passar uns dias na minha casa me zoando porque o café erá solúvel, e não feito no bule.
Mas antes de poder sentir o cheiro dessas pessoas queridas, tudo se deu no virtual. E eu não consigo ficar em paz até saber idade, altura e de onde são. Idade determina - teorica.e.genericamente - o que a pessoa viveu, se já trabalhou, se ralou no mínimo 4 anos numa faculdade, se sonha em sair de casa ou já se casou, se já teve tempo o bastante para ter o coração partido algumas vezes ou acha que tristeza é não pegar ninguém na balada. Coisas básicas e corriqueiras, mas determinantes para a forma como as pessoas reagem e sentem-se à respeito de si e do mundo.
Localização diz um pouco sobre os hábitos da pessoa e, especialmente, sobre o sotaque. Lógico. Enquanto você troca e-mails com uma pessoa, tudo bem. Mas quando se pensa em levar a conversa para o real, o sotaque vai ser um dos fatores mais contundentes de uma relação. Então imaginar se a pessoa puxa no rrr, engole algumas letras ou fala bixim é coisa mínima.
Por fim, o lance da altura é porque eu sou meio maluco mesmo, não tem muita explicação. Mas é que formato de rosto, cor dos olhos, peso, cabelo; tudo isso você vê através de fotos. No entanto, para ter uma idéia completa da pessoa, ainda falta a altura. Afinal de contas, você vai olhar pra cima ou pra baixo ao conversar com ela?, a pessoa é desengonçada, cheia de braços, ou uma graça de pernas curtas?, ela vai ficar desconfortável no seu abraço ou vai ser tudo lindo como se espera que a vida deve ser?
Pois é. É por isso que eu acho blog uma imbecilidade. As pessoas podem ser o que quiserem, ter a idade que quiserem, morarem onde quiserem ou não serem nada. É muito chato iniciar a leitura de um blog sem saber das antigas histórias, se a pessoa torceu o nariz pro feijão na hora do almoço, se tudo aquilo é verdade ou não passa de mais uma babaquice. Eu garanto a minha autênticidade, e a veracidade de tudo que escrevo, mas confesso: deve ser um porre sem fim parar num blog por engano através do google e ler histórias de um desconhecido de 22 anos, baiano, que por dois centímetros não alcançou um metro e oitenta.
Vão procurar o que fazer, hein?