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amigos


07:22 pm, iulo
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go tiger

A Bahia é conhecida pelo sincretismo religioso que, segundo a Wikipédia, “é uma fusão de concepções religiosas diferentes ou a influência exercida por uma religião nas práticas de uma outra”.

No carnaval, o que a gente vê de fato é o sincretismo musical. A maioria dos meus amigos gosta de rock e suas inúmeras variações (indie, punk, metal, alternativo, pop, british, progressivo…). Mas quando se trata do objetivo comum mais primário aos homens (leia-se: pegar mulher) abre-se mão de todo gosto pessoal e de toda a pose rebelde.

Eu já me acostumei, mas no começo, achava mega estranho quando algum roqueiro dizia que ia sair no bloco tal, ou que ia curtir o carnaval na pipoca (vai para a avenida, mas não necessariamente dentro de um bloco). Às vezes eu ainda me surpreendo, mas vai lá, é o instinto primitivo.

Carnaval é isso, ver seus amigos prostituindo…os ouvidos.

É lindo.

Ê Bahia.


12:00 am, iulo
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fireworks of the strupication

Depois de uma certa idade natal e ano-novo tornam-se coisas tão óbvias e costumeiras que ficam irrelevantes. Eu mesmo só lembrei de escrever algo a respeito porque entrei no blog e vi que o post anterior já estava aí há tempo demais. 

Bom, nesse natal eu já ficarei bem feliz se o salpicão não tiver maçã nem uva passa. Ódio. 

O chuveiro continua lá, com problemas. Então feliz banho gelado de natal pra mim e é isso. A vocês eu desejo muitos beijos molhados das tias e abraços de lados e perdão gratuito sem sentido e amor enlatado e bastante coca-cola com frases clichês. Se receberem mensagens intermináveis por telefone, melhor ainda

That’s all peopleSee you next year, que os mineiros vadios vieram me ver esse ano e internet vai passar longe de mim ;D 

E todos combinados de passar a virada do ano pelados pulando ondinha no mar, ok? 

Cuidado com siris mordedores de pinto e afins.


12:00 am, iulo
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não pergunte

Eu nunca achei que o vazio que ele deixou no lugar fosse se transformar num vazio tão doído dentro de mim. Ele era meu amigo; não dos mais próximos - por mais que convívêssemos semi-intensamente - mas era meu amigo. Um daqueles que a gente encontra e não necessariamente cumprimenta da maneira mais formal. Era daqueles amigos carimbados que a gente faz na infância, sabe? Ele era o equivalente adulto do amigo que costumava caminhar ao lado pelas ruas e que não podia me ver comendo algo sem pedir um naco. A gente não curtia os mesmos filmes, e o nosso gosto para mulheres era completamente diferente. Mas ele sempre estava bem-humorado e disposto a qualquer coisa. Às vezes ele ficava meio melancólico, é verdade. Mas no geral ele vivia satisfeito, meio desligado, com aquele ar de tanto faz ou tanto fez - ele só queria saber o que havia para jantar e estava tudo bem. E nesse jeito dele, sempre me respeitou e até teve medo por eu sempre ser tão sério ou ocupado para ouvir as coisas incompreensíveis que ele tinha a dizer. Eu não tinha muito tempo ou paciência.

Ele era  o meu cachorro, mas eu nunca achei que o bobo do meu cachorro faria tanto falta ao abrir a porta e lá não haver uma cauda pequenina balançando pra mim; uma cauda contida e até um pouco desconfiada a respeito do meu humor. Era  o meu cachorro, mas eu choro feito criança quando chego em casa e não preciso levá-lo para passear. E olha que eu odiava com todas as minhas forças fazer isso diariamente. A bola de tênis que ele tinha tanto ciúme virou o meu troféu de campeão-de-coisa-alguma ou uma ode metafísica à amizade, sei lá. 

Quando eu sento na minha cama para amarrar os cadarços e olho para debaixo da mesa da sala e ele não está lá, todo quieto, me olhando sem jeito, eu só me pergunto o foi que me impediu de, embaixo da mesa, deitar com ele alguns minutos todos os dias e perguntar: e aí, camarada?. Eu queria levá-lo daqui até o Chuí na janela do meu carro só para ele pensar por algumas horas que de fato podia voar com aquelas orelhas balançando ao vento. É que era  o meu cachorro; meu amigo bobo. Mas era meu, e ele foi embora de maneira rápida demais.


12:00 am, iulo
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bonding

O fato que mais me prejudica a socialização é a minha suave e plena intolerância parasmall talk. Eu não suporto superficialidade. Na verdade, eu sou fisiologicamente impedido de mover os músculos da face para conversar sobre banalidades. O grande problema é que qualquer relação social precisa se iniciar com uma lubrificação mínima, onde se fala sobre o tempo, sobre o time de futebol, sobre a ida até o shopping no dia anterior ou sobre a diversão do último carnaval. I can’t. I just can’t. Eu juro que me esforço, fecho os olhos por alguns segundos pensando em todas as trivialidades que regem o meu viver, mas não consigo construir uma frase que soe coerente e que exprima alguma opinião ou sentimento sobre qualquer um desses temas irrelevantes. Sempre falho. 

Então, se você acaba de me conhecer e eu me mostro interessado em estabelecer um diálogo, please, me conte um problema. Fale de sua vida, conte da crise no namoro, da última briga com sua família, da vontade de comprar um apartamento, dos planos para o futuro. Apresente-me as suas dúvidas existenciais e fale sobre o que você crê.Shoot-me, assim, direto no peito; eu aguento, sem problema algum. Conte-me sobre como era triste ter um tio tarado que sempre queria te abraçar. Fale que você está entediado com a vida, revele que muitas vezes você se sente triste e só quer dormir mais um pouquinho. Abra um sorriso largo e desabafe: oi, hoje eu queria mandar tudo e todos para a puta que pariu

o o o

E eu serei muito grato.


12:00 am, iulo
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smells like teen spirit

Eu tenho uma certa obsessão por idade, altura e localização. Por um motivo muito simples: eu acho que esses fatores são determinantes para uma boa parte das características de uma pessoa. Eu tenho um blog há muito tempo, uns 4 anos, vá lá. Por conta disso, fazer amigos em cidades longínquas tornou-se um fato corriqueiro. 

Diga-se de passagem, com essa vida apertada que a gente leva, o contato com os amigos distantes é muito mais frequente do que com os amigos da mesma cidade. Afinal os amigos da web estão há um ou dois e-mails de distância que, como leite com nescau, são frequentemente instântaneos. 

Enquanto isso, os amigos da sua cidade estão há pelo menos um banho, uma escolha de roupa, uma retirada de carro da garagem, um percurso de 15 minutos… e, claro, um agendamento prévio, espremido entre a namorada, o descanso.sono, o blog, o trabalho, o violão e tantas coisas mais. Vida social custa caro. 

Mas então. A maioria dos meus grandes amigos mora longe, muito longe. Na verdade, financeiramente longe, considerando que nenhum deles está há mais de duas horas de avião. Releva-se também o fato de que há essa altura eu já os conheço todos pessoalmente; seja porque eu tenha ido até eles, ou porque eles vieram passar uns dias na minha casa me zoando porque o café erá solúvel, e não feito no bule. 

Mas antes de poder sentir o cheiro dessas pessoas queridas, tudo se deu no virtual. E eu não consigo ficar em paz até saber idade, altura e de onde são. Idade determina - teorica.e.genericamente - o que a pessoa viveu, se já trabalhou, se ralou no mínimo 4 anos numa faculdade, se sonha em sair de casa ou já se casou, se já teve tempo o bastante para ter o coração partido algumas vezes ou acha que tristeza é não pegar ninguém na balada. Coisas básicas e corriqueiras, mas determinantes para a forma como as pessoas reagem e sentem-se à respeito de si e do mundo. 

Localização diz um pouco sobre os hábitos da pessoa e, especialmente, sobre o sotaque. Lógico. Enquanto você troca e-mails com uma pessoa, tudo bem. Mas quando se pensa em levar a conversa para o real, o sotaque vai ser um dos fatores mais contundentes de uma relação. Então imaginar se a pessoa puxa no rrr, engole algumas letras ou fala bixim é coisa mínima. 

Por fim, o lance da altura é porque eu sou meio maluco mesmo, não tem muita explicação. Mas é que formato de rosto, cor dos olhos, peso, cabelo; tudo isso você vê através de fotos. No entanto, para ter uma idéia completa da pessoa, ainda falta a altura. Afinal de contas, você vai olhar pra cima ou pra baixo ao conversar com ela?, a pessoa é desengonçada, cheia de braços, ou uma graça de pernas curtas?, ela vai ficar desconfortável no seu abraço ou vai ser tudo lindo como se espera que a vida deve ser? 

Pois é. É por isso que eu acho blog uma imbecilidade. As pessoas podem ser o que quiserem, ter a idade que quiserem, morarem onde quiserem ou não serem nada. É muito chato iniciar a leitura de um blog sem saber das antigas histórias, se a pessoa torceu o nariz pro feijão na hora do almoço, se tudo aquilo é verdade ou não passa de mais uma babaquice. Eu garanto a minha autênticidade, e a veracidade de tudo que escrevo, mas confesso: deve ser um porre sem fim parar num blog por engano através do google e ler histórias de um desconhecido de 22 anos, baiano, que por dois centímetros não alcançou um metro e oitenta. 

Vão procurar o que fazer, hein?


12:00 am, iulo
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bruises

Parece que a vida vai guiando a gente pro futuro de maneira que se torna cade vez mais difícil fazer amigos. Na infância nós estamos na escola e fazemos amigos naturalmente: batendo, babando, mordendo e jogando bonecos na cabeça dos colegas. É uma coisa meio selvagem de pré-escola, mas todo mundo se considera coleguinha e amiguinho. 

Mais tarde, no colégio, temos a convivência diária dos outros estudantes; da sua sala, de outras salas, de séries mais adiantadas. Na adolescência temos os amigos do prédio ou da rua. Afinal, temos uma coceira pelo corpo que nos impede de ficar em casa, então saímos pra conversar, tocar violão, jogar futebol, babar pelas meninas mais bonitas. 

No terceiro ano colegial começa aquele lance obrigatório de isolamento: é preciso estudar pra passar na vestibular. Os pais implicam se você arranja uma namorada nesse ano, se você come de menos ou dorme demais. Enfie a cabeça nos livros e não pense em outra coisa. É a partir desse ponto que as possibilidades sociais começam a entrar em declínio. Você mantém seus velhos amigos, mas fazer novos?, rá.. exige muita habilidade, vontade e disciplina. Habilidade eu até tinha quando queria ou necessário, mas vontade?, nah. Tá explicado o caos social que eu sou hoje em dia. 

Mas daí então você passa numa faculdade e, ao contrário do que se pensa, agora sim, a vida fica difícil. Se você quer ser um bom aluno, prepare-se para fins de semana estudando feito louco, virando noites no computador e negando saídas à rodo. Você já não tem tempo para os amigos do prédio; para os antigos e para os possíveis novos amigos. As saulas de aula diminuem gritantemente a quantidade de alunos, diminuindo juntamente a quantidade de amigos potenciais. Paralelo a isso, o seu grau de exigência em relação à amizades aumentou muito desde a infância: morder, babar e deixar alguns colegas com marcas roxas já não é o suficiente para iniciar um relacionamento. 

Tudo exige dedicação, paciência e um toque de simpatia (e muitas vezes empatia) natural. Sem esquecer que cada dia mais a superficialidade toma conta de tudo e todos. Pense em quantos amigos você possui de verdade, daqueles que você pode chamar de filho-da-puta em um momento de raiva e a amizade continua inabalável? 

As pessoas que já têm amigos não estão preocupados em fazer novos, afinal, já têm os seus, para quê mais? As panelas se proliferam, a superficialidade azeita tudo, o tempo cada vez mais escasso, a preguiça reinando sobremaneira. Nos primeiros semestres da faculdade você arranja um estágio e é enjaulado num cúbiculo com algumas pessoas de segunda à sexta. Com alguma sorte elas serão legais com você, mas sentem-se constrangidas a se abrirem. 

A faculdade termina e o convívio social torna-se ainda mais escasso: já não há mais colegas de curso, de escola, da rua. Restam os poucos amigos de verdade que você conseguiu fazer ao longo do tempo, e sua vida está resumida ao dia-a-dia no seu emprego, com alguns poucos colegas de trabalho; claro, contando sempre com a possibilidade de que as variações de humor inerentes a cada ser humano tornem o dia mais alegre. Ou mais chato. 

No ínício da nossa vida adulta, quantos trocentos telefonemas nós fazemos afirmando solenemente: sim, há quanto tempo, hein?, vamos marcar, precisamos nos ver!, deixa ver a próxima semana que eu estarei mais livre

E as semanas nunca estão mais livres, a cada dia o dia tem menos que 24 horas, e uma hora acaba em menos de 60 minutos. O mês passa antes que saibamos onde foi parar o nosso salário; ficamos mais focados em ganhar dinheiro, em crescer no emprego, em termos um apartamento legal para convidar os amigos no futuro. E o futuro vai passando a cada dia, sem amigos, sem tempo pra amigos, obcecados, frios, superficiais, ocupados; sempre atrasados para o próximo compromisso inadiável. E sozinhos. 

o o o

Sejamos francos: viver é uma desgraça.


12:00 am, iulo
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anomaly

Mandar tudo pra ***** hoje é pouco. Eu quero o campo do grito e 10 cheerleaders americanas correndo só de calcinha junto comigo. Pra aliviar a tensão. 

Deixa eu me encontrar antes de explicar o ocorrido. Bom, o fato 1 é que eu bati o carro há três semanas atrás, num cruzamento pouco movimentado em Piatã. Pela lei, a preferência era minha, mas se eu tivesse diminuído um pouco a velocidade antes de atravessá-lo, nada teria acontecido. Aparententemente os danos no meu carro foram poucos, apesar da porta do outro carro ter sido estuprada de com força. Como as minhas últimas duas semanas foram atribuladas, não pude fazer os orçamentos do conserto, coisa que eu faria/farei hoje. 

O fato 2 [aparentemente desconexo] é que os últimos cd’s de mp3 que eu gravei pra ouvir, não tocaram direito no carro. Isso já antes da batida e não tem nada a ver com ela. Provavelmente deram problema por eu ter ultrapassado um pouco a capacidade indicada e pela qualidade da mídia. Ou seja, metade das músicas funcionavam, disco travava no meio, uma beleza. 

O fato 3 é: dias depois dos fatos 1 e 2, minha querida amiga Dri me fala da banda Incubus, que na verdade eu já tinha escutado há muito tempo atrás, umas duas músicas, e não gostei. Como ela falou que gosta muito da banda, e eu tenho a tendência de me interessar pelas coisas que os amigos gostam, nem que seja pra dizer que não presta; baixei os quatro últimos discos deles. Ontem eu comprei cd’s donzelos para gravar e ouvir no carro. Tudo lindo. 

O problema: Incubus é uma banda muito, muito boa. Acontece que eles têm um DJ viadinho [criado a leite com pêra] que introduz efeitos homossexualizados [e muito bons, por sinal] nas músicas. Quando eu coloquei o cd no carro, o primeiro disco que rodou foi A Crow Left of the Murder. E qual é a primeira música desse álbum? Megalomaniac. Agora escute a música e me diga: que DISGREBA de começo é esse? 

Os 30 segundos iniciais são um chiado completamente sem sentido. Ao ouvir os primeiros 5 segundos, eu achei que mais um cd tivesse dado problema, e me irritei profundamente. Mais 5 segundos e o chiado sofre uma variação, pensei logo no viadinho do DJ; isso deve ser arte dele. Vou saindo de ré com o carro, prestando atenção no som, leio o nome da música no display, engato a primeira marcha, continuo aguardando ansiosamente o chiado terminar [ou não, afinal como eu ia adivinhar?], acelero, faço a curva ainda atento para o som e BLUNC!, a merda da lateral do carro LAMBE com amor e carinho a pilastra da garagem. 

Anos fazendo o mesmo movimento diariamente e eu bato o carro num belo dia de verão [a gente ainda tá no verão?]. Melhor, a batida podia ter sido no mesmo lugar da primeira. Mas nãaao, foi num lugar diametralmente oposto. Agora eu me ferrei e vou processar o Incubus por ter feito eu bater o carro novamente. Mais bonito ainda é que dois segundos depois entram as primeiras notas de guitarra na música. Maaas, já era tarde demais. 

Eu tô tentando olhar pelo lado positivo: se eu já tivesse consertado a primeira batida, e depois ocorresse a segunda, eu seria o cara mais jovem a ter um ataque cardíaco na história da humanidade. 

o o o

Vou ficar rico.


12:00 am, iulo
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e acreditavam

Lutava para não se sentir patético em suas tentativas inúteis de mudar o jeito como as coisas iam. Fingia que a última coisa que ouvia antes dormir não era seu suspiro doído, como uma confissão de detalhes inacreditáveis. Cria cegamente que fechar os olhos por alguns instantes faria toda dor ir embora. Lutava para não acreditar que o mar era fuga, assim como o seu sono sempre constante. Esforçava-se para levantar da cama e ver algum sentido nas coisas. Qualquer coisa. Se apegava à maciez do seu colchão como sua última amante, terapeuta, confidente. Continuava por horas tentando se manter em qualquer lugar que não ali. Até que não adiantava e tudo se tornava insuportável. Apertava as mãos com força, socava paredes para desviar a dor. Escondia entres os dentes as raivas de suas palavras torpes. Enchia os ouvidos de música, fazia-se crer não pertencer a nada. Jurava amar amores falsos, se dedicando sem coragem a qualquer pedaço. Imaginava os melhores diálogos, com os melhores amigos que não existiam. Guardava para si o desprezo por conselhos inúteis, cheios de altivez e ausentes de sentimentos. Sonhava por segundos encontrar um canto que fosse seu. Segurava lágrimas, como uma tosse, que no fundo não podia ser abafada. Fingia não cheirar a mediocridade do dia-a-dia; o aroma agoniante da futilidade das pessoas. Esquecia de si no meio das letras. Disfarçava não odiar abraços de lado, sem jeito, quase não dados. Fechava os olhos novamente para não se enxergar. Ouvia meio punhado de bobagens; gentilezas egoístas de quem não tem um ombro para oferecer. Se despia de seus medos, de vontades, de saudades, de desejos, dos outros, de si. Esquecia. 

E fingia ser tudo aquilo que há muito tempo já não é mais.


12:00 am, iulo
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learning, baby

Eu passei a vida esperando conhecer pessoas tão boas quanto eu. E nisso, evitava as pessoas comuns. Acontece que as pessoas tão boas quanto eu estavam ocupadas com pessoas tão boas quanto elas. Que, como eu, evitavam pessoas novas, por lhe acharem comuns. E nunca deixaram eu me aproximar, nem notaram que eu era tão bom quanto elas. Daí eu comecei a me aproximar das pessoas comuns. E vi que elas são tão boas quanto eu.

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A gente sofre, mas aprende. É a vida.


12:00 am, iulo
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meios

Como escrever que se precisa de amigos sem parecer fraco, carente ou desequilibrado? Eu preciso. De amigos que se importem e que se sintam bem comigo. De gente que não me julgue só por julgar e que esteja ao meu lado independentemente das minhas escolhas. Que tenha a coragem de discordar das minhas idéias, respeitando-as. Amigos que estejam comigo mesmo que eu pense de maneira oposta em relação às suas crenças, cultura ou concepções. Amigos que me digam a verdade com carinho. Que entendam que eu fiz escolhas pessoais bastante erradas no passado, mas que agora eu reconheço e preciso de ajuda pra construir tudo que abandonei esquecido. 

Eu preciso de amigos que entendam meus medos, saudades e tristezas. Amigos que na primeira briga não achem que é o fim. De gente que saiba pedir desculpas e valorizar atitudes. Gente que já tenha amado, e que também já tenha sofrido. De amigos que não passem o tempo todo tentando me convencer de que o seu ponto de vista é o correto. De gente menos intolerante, rude e mesquinha. De gente mais compreensiva, afável e cuidadosa. Amigos que vez ou outra tomem a iniciativa de me procurar pra bater um papo, não por pena ou obrigação, mas por que é agradável gastar um tempo comigo. 

Eu preciso de gente de sorriso fácil e ouvido atento, com coração sensível e que saiba o valor de um abraço. De gente equilibrada e de bem com a vida. Que não tenha medo de ser o que é, nem de sentir o que sente. De gente autêntica, com defeitos, medos e inseguranças. Que saiba reconhecer quando pisar na bola e que precisa mudar o jogo. Eu preciso de amigos que entendam os meus erros. Que escutem quando eu precisar falar, ao invés de abrirem uma torneira de conselhos. Que lutem por mim quando eu não tiver mais forças. Assim como eu lutei por muitos. Que entendam que se eu estou falando alto, ou até mesmo gritando, é por que, putz, tá doendo pacas. Amigos que saibam que vão encontrar essas coisas em mim. De gente que esteja perto. Eu preciso de amigos que me permitam ser humano. Mais humano.