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12:42 pm, iulo
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você pinta como eu pinto?

Num dia de dezembro, lá em Belo Horizonte com a pequena e os amigos mineiros, fomos na feira do Mineirinho. No andar de cima tinha um rapaz que vendia uns quadros.

Num canto, encostada na parede havia uma pilha de quadros retangulares, compridos, com umas coisas de metal no meio da tela. Eram bonitos, mas eram todos muito parecidos, com alguma variação somente na distribuição dos tons pastéis.

Percebendo que olhávamos para essa pilha em especial, o todo bonito vendedor fez um ar de super-entendido-de-todos-os-assuntos-do-universo (sério, queria muito que vocês vissem o ar daquela pessoa) e começou uma bateria de perguntas:

- O quadro é para qual cômodo da casa?
- Qual é a cor do seu chão?
- Qual é a cor da sua parede?
- Qual é a cor da sua mesa?
- Qual é a cor do lado de dentro do seu estômago?

Minha amiga, sem escolha, respondeu as perguntas. O cara virou-se para a pilha de quadros e começou um pequeno ritual:

*Foi passando os quadros como quem folheia uma lista telefônica.

*Parou num quadro igual a todos os outros.

*Segurando o quadro e como se as palavras saíssem da boca de Gandalf, O Branco, proferiu: ‘Esse aqui’.

*Continuou segurando o quadro, com cara de comedor que tá impressionando as gatinhas na balada.

[ ! ]

O detalhe, já não bastasse o constrangimento daquele momento, é que minha amiga já tinha ido lá antes e o cara fez as mesmas perguntas e a mesma pseudo-seleção com ar de contemplem-pois-sou-arquiteto-pirocudo-formado-em-harvard.

Eu fico imaginando quantas coisas aconteceram na vida desse rapaz para ele acreditar que essa é uma técnica super avançada de venda e convencimento. Se a gente respondesse que o quadro era para o banheiro de chão rosa com paredes verdes ele teria apontado para o mesmo quadro.

Eu prefiro acreditar que ele estava trollando conosco e saiu de lá para beber com os amigos e caçoar da gente numa mesa de bar.


02:18 pm, iulo
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ligações do ódio

Sinto ódio eterno de pessoas que não gostam de falar ao telefone. E que demonstram isso claramente. Acho que todo mundo conhece uma pessoa muito legal de se conviver, mas que é insuportável ao celular.

Eu não gosto de telefone, é chato, eu sei. Mas não deixo transparecer isso! Ao menos tento…

O triste de falar com as pessoas que são assim é que mesmo que você saiba racionalmente que aquela pessoa não gosta de falar ao telefone, você liga para ela, ela te atende com aquele bafo de frieza do himalaia, alternando com doses de patadas parciais e pequenas rudezas; e daí você emocionalmente fica todo desconfiado, se perguntando o que fez de errado para aquela pessoa te tratar daquele jeito; afinal, você é tão legal com ela, porque ela te retribui daquela maneira? Por que? POR QUE? POR QUE DEEUS? EU GOSTO TANTO DESSA PESSOA! DEEEEEEEUS!

Aí quando você finalmente consegue sair dessa espiral de questionamentos infundados e frustração, você se recorda que a culpa é da pessoa idiota que está lhe tratando mal do outro lado da linha e fica com ódio.

Então você pensa: NUNCA MAIS ligo para essa pessoa. Mas aí a pessoa liga pra você e tudo vai ser diferente; ela vai te tratar bem e ser um amor, né? NOT. Essas pessoas são sempre insuportáveis ao telefone, sejam elas as receptoras ou originadoras da ligação. O que importa é desferir golpes de indiferença e kung-fu vocal.

Tenho certeza que elas ficam em casa entediadas e pensam: vou ligar para um amigo e torturá-lo ao telefone!

Por isso alguns amigos me ligam, eu contenho a minha alegria e falo: O QUE É, VIADO? Apesar de por dentro estar saltitando feito cachorro quando o dono chega em casa, sabe?, mas fico ali, SOFRENDO, trincando os dentes e escondendo sentimentos________________ (complete essa frase com trechos de alguma música brega).

Digam aí?, tem coisa mais odiosa que você ligar para alguém e a pessoa ficar falando: ‘tá, ran, hum, tá bom, certo, ok, falou’ ?

Malditos.


09:51 pm, iulo
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diarrhea

Você estar desarranjado da barriga, ir caminhar com os amigos, todos sentirem um cheiro característico, você achar que se cagou e ao fim descobrir que, na verdade, um deles pisou em cocô de cachorro.

Isso é tenso.


09:40 am, iulo
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‘Quem encontrou um amigo, descobriu um tesouro’. Acho que perder um amigo, além de muito doído, é empobrecer.


11:17 am, iulo
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fofura

Gravidez é uma parada séria. Outro dia o médico disse a uma amiga minha: a sua barriga vai crescer, a coluna vai doer, você vai andar torta, o rosto vai inchar, os pés vão inchar, a vulva vai inchar, você vai sentir cansaço, dificuldade de respirar e…

…cara, A VULVA VAI INCHAR.

Morri. Instantaneamente.


12:23 pm, iulo
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pregnancy crazy fever

A maioria dos meus amigos casados estão grávidos. São 3 casais esperando neném. Eu acabei de casar, não quero ter filhos nunca, e estou cercado por gravidezes!

Eu estou mega-feliz e verdadeiramente empolgado por todos eles (inclusive tenho que me conter, porque a pequena quer ainda menos ter filhos e pode achar que eu peguei a febre).

Mas minha empolgação não tinha como ser diferente, porque são todos amigos muito queridos, e porque os meus sobrinhos por adoção serão adoráveis e bem educados (!).

Mas o saco é que eu e a pequena queremos ter gatos e a única pessoa que apoiou irrestritamente foi o sogrão (UOW!). Acredite, esse mundo tá louco.

Daí quando eu comento com qualquer pessoa que um casal amigo nosso está pra ter neném, a resposta que ouço é: e os seus vêm quando?? E na sequência vem o TERROR nos olhos das pessoas quando eu replico que não quero ter filhos.

Bicho, vai tomar banho? A coisa mais natural do mundo hoje em dia é que não se queira ter filhos. Parece que na cabeça das pessoas dizer que não quero ter filhos é como dizer que coloquei meia-dúzia de criancinhas dentro de uma sacola e joguei no mar!

Eu respeito e acho legal quem quer passar o resto da vida sofrendo por causa de um mini-você, mas essa vibe não é pra mim. Acho cansativo e dispendioso, sem falar que crianças têm uma propensão natural para gritos e pirraça no shopping.

E nem venha com essa de ah! essa fase passa, porque depois os adolescentes têm propensão para más amizades, drogas e sexo; e assim sucessivamente. Há pais que tiram esse sofrimento de letra; eu não seria um deles.

Bom. E quando eu digo que quero ter gatos então? Putz. A mesma lenga-lenga dos filhos. Que eu devo ter filhos ao invés de gatos, que eu já tenho uma gatinha em casa para me dar gatinhos (medo?).

Gatos, iulo? Bla bla, gatos são egoístas, bla, bla, gatos gostam da casa, bla, bla, gatos não gostam do dono…

O melhor de tudo é que as pessoas podem ter preconceitos contra gatos, e eu não posso ter preconceito contra crianças? Olha pra isso:

Esse é um British Shorthair na cor lilac. Mil vezes mais fofo que um neném gofento com cara de joelho!

Por fim, lógico que eu não sou idiota… esse blog é uma prova da minha constante mutação ao longo da vida; e eu posso mudar de idéia sobre filhos adiante. Mas hoje, 100% da minha vontade consiste em não ter filhos. E se (somente se) isso for mudar, vai levar MUITOS anos.

o o o

Antes que fiquem traumatizados e tirem seus filhos de perto de mim, eu tenho um sobrinho que vai fazer 2 anos, que é o moleque mais gracinha do mundo; e eu o amo muito e adoro passar algum tempo com ele. A diferença é que, não sendo meu filho, quando ele faz cocô eu devolvo para a mãe :)


12:00 am, iulo
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mineiros vadios do meu coração

Uma dupla do barulho no maior clima de azaração aprontando todas num teatro pra lá de divertido



o o o

Imagens adicionais sequestradas do lolhehehe.


12:00 am, iulo
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a casa caiu, zé bin

Eu amo meus amigos mineiros. Amo a lora brasiliense. Amo a amiga paulista da minha mãe e amo minha sogra (que é uma mistura de muitos estados, mas eu a considero primariamente uma carioca). E provavelmente amo outras pessoas desbaianadas das quais não estou lembrando agora. Mas não há nada melhor que amar baianos. Porque definitivamente não existe nada como baianos. As pessoas dos outros estados são frias. Por mais carinhosas e doces que sejam (e, especialmente, educadas), são frias. E é inexplicável. Não dá pra pegar uma atitude ou uma frase deles e dizer ah, ráa! Aí está a sua frieza, morraaaa miseráavel!. Não, não. É algo subjetivo, que não dá pra pinçar ou traduzir. É como aquela falta de alho e limão no sabor da comida, mas que você não consegue identificar objetivamente. It’s weird. É uma polidez distante. É quando o milkshake de Ovomaltine vem mal batido, mas você tem vergonha de voltar e pedir pra moça bater novamente porque não sabe o que vai dizer a ela. Amar pessoas de outros estados é quase platônico e solitário. Nada se compara à malemolência baiana. O sorriso de um baiano ou um simples abraço preguiçoso ganha fácil de qualquer demonstração exacerbada de carinho dos outros povos brasileiros. E isso também não é passível de explicação. Mas é comprovado pelo selo Inmetro iulo de experiências transregionais (e nada de transexuais, obrigado). O calor dessa cidade me mata, mas eu tenho quase certeza que definharia aos pouquinhos vivendo em outro estado.


12:00 am, iulo
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Se ela não fosse gente, seria uma fadinha rodando em minha cabeça: 

“De que te adianta fazer a faculdade correndo pra formar correndo, ter um 
emprego correndo e ganhar dinheiro correndo, casar correndo, etc etc etc? 
Pra vida passar correndo na frente dos seus olhos e você se tocar que não se 
dedicou às coisas que realmente valiam à pena?” 

E aí eu aprendi a relaxar.


12:00 am, iulo
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Ele de fato tá indo. Morou aqui do lado por tanto tempo. Eu mesmo fui embora certa vez. Mas não éramos tão amigos assim. E logo voltei. Depois, com uma certa maturidade, com determinadas experiências e decepções em comum, foi inevitável não surgir uma cúmplicidade que ia da divisão da comida aos embaraços do dia a dia. Eu sei que ele não vai pra tão longe assim. Sei também que apesar da proximidade das nossas casas, a gente anda meio sem tempo. Mas de qualquer forma é triste, saber que ele não vai mais estar há alguns metros. E que inevitavelmente, distância, por menor que seja, desgasta as coisas num ritmo que você nem vê. Olho pra trás e são lá seus oito ou nove anos de amizade. E simplesmente não dá pra achar que tá tudo bem. As coisas mudam camarada.


12:00 am, iulo
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Cumplicidade. Eis a grande questão. Pago pra ver as amizades em que existe isso. 

Isso que falta.


12:00 am, iulo
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Hoje minhas aulas voltaram. E eu estava com saudades do buzão. Algum cretino feio diria, aquele mar de cores e de gente. E de pertinências também. Ah! A humanidade. Não não, fico por aqui mesmo. Sem reflexões. 

E como as meninas perderam algumas matérias nesses semestres eu fiquei só em algumas outras. O que é muito ruim. Muito ruim mesmo. O que eu também não entrarei em detalhes. 

Mas o buzão, como forma natural de inspiração, me fez refletir sobre constragimentos. O que me fez concluir que a coisa que me deixa mas desconfortável é piada de tio. Uma coisa muito linda. 

Você dá uma passada na casa de seu tio, pra falar com um de seus primos geralmente. Aí aparece o seu tio de samba-canção coçando o peito e conta aquelapiada de tio que dói no fundo do globo ocular, causando uma coceira irritante na ponta do fêmur. 

Se você é mamão acaba rindo da piada de tio até não poder mais. Fica vermelho e chora. Eu não. Nesse momento pós-piada de tio milhões de coisas se passam em minha cabeça e a vontade é de me jogar pela janela. Mas a única reação provável e inevitável é levantar as sobrancelhas e fazer a típica cara de Ah, claro. Muito interessante isso

Ou então, aquela risada solitária, liberada numa única expiração, que parece mais uma tosse e pede um lugar pra enfiar a cabeça e não sair mais. Se não for o seu tio pode ser o tio do amigo, da namorada, do vizinho. Qualquer um. Mas que dói, dói.


12:00 am, iulo
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Não. Eu não tô normal. Ultimamamente eu tenho me sentido só. Mais ainda. Lembro de pouco tempo atrás, onde as pessoas brigavam por mim. Por um pouco do meu tempo. E eu podia também reclamar de que não tinha nada pra fazer, mesmo estando com pessoas que gostasse. Hoje eu passo os dias só básicamente. 

Não só, só, claro. Pq eu tenho minha família. E minhas irmãs, que passam um bom tempo comigo. E cada dia mais eu percebo o quanto não posso viver sem elas. Sem ter quem ouça minhas bobagens, pirraças e reclamações. Sem ter por quem ser pirraçado. Sem inventar apelidos absurdos, fruto de uma imaginação borbulhando por algo, mas cruelmente ociosa. Nem que seja pra ver o mesmo filme rídiculo novamente com elas, e tendo, claro, o dom mágico de tornar-me o diretor reclamante de cada impertinência que pouco mais de 90min mal elaborados podem gerar. 

Mas elas são crianças. Não comento meus velhos pais pq tento falar de uma amizade mais nua e crua. Sem escalas de poder e autoridade. E eu queria uma convivência diária com pessoas maravilhosas, chatas, extraordinárias, azuis e ironicamente bem-humoradas e distantes da passagem do tempo. Gente jovem, da minha idade, com interesses em comum. Sei lá. 

Eu acordo feliz. Sim, acordo. De verdade. Pq minha felicidade é feita de coisas intimamente pessoais. Assim redundante mesmo. Deus sabe. Eu disse só, não triste. E no meio de um minuto solto e perdido eu penso em gente que está longe e que eu realmente queria que estivesse aqui comigo. Penso nelas* que moram praticamente em Mordor, enquanto eu fumo meu cachimbo aqui no Condado. E o único amigo diário sumiu. Simplesmente sumiu. 

E os dias vão seguindo. Fora o cinema garantido das quarta-feiras, para manter minha sociabilidade no nível mínimo, minhas atividades são solitárias e unicamente acompanhadas das mais diversas loucuras que a minha pequena cabeça pode criar. 

E vez ou outra eu perco a paciência com determinadas pessoas, que teimam em serem as mesmas. Ou que mudaram e acham que foi pra melhor. Eu enjôo das pessoas que se mantêm assim. Parte das vezes eu tento ser amigo, ouvinte, companheiro, mas tem horas que não dá. Não dá mesmo. O gosto do açucar enjoa e eu preciso de um bom tempo pra sentir vontade de provar de novo. 

E mais. Nessas horas minha consciência e meu desejo travam uma batalha Jedica. Pq a vontade e inclinação natural é de dizer a verdade. Nua e crua. Aproveitando toda a sinceridade que a mim foi concedida nesses anos de vida. Mas as pessoas são inseguras e necessitadas de boas afirmações. E a consciência pesa, me faz refrear as palavras e o meu jeito. Tá bom, tá bom. Pouca parte das vezes eu me contenho. Mas se a consciência não pesasse… pessoa mais amável ainda eu seria. 

E o que isso faz? Faz com que eu deseje pessoas que eu não enjoe, pra fazer nada. Esperando outro punhado de estrelas cair do céu. E que sem esforço, entendam ao menos parte das coisas que eu tento dizer. 

Alguém quer gastar o tempo fazendo um pouco de nada comigo? 

E insisto em dizer que eu não sei o que é xaudadi. E não tente me explicar.


12:00 am, iulo
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why people love me so much?

Uma colega da faculdade me liga: 

-Alô 
-Alô 
-iulo? 
-oi 
-Tá fazendo o quê? 
-Hum, nada. 
-Ihh… você tá chato. 

Uma pessoa fala 3 coisas comigo e diz que eu tô chato. Só pode ser mania de perseguição. 

Thank you everybody.