
Cara, se há uma raça que eu sinto aversão são nerds. E não, eu não estou falando dos nerds legais do Big Bang Theory. Eu estou falando dos nerds do dia-a-dia, dos computéfilos cotidianos. O tipo é fácil de reconhecer pois em toda empresa há um setor de duas letrinhas cheio deles: TI.
Reconhecimento automático: o computéfilo é aquele motherfucker desengonçado que usa roupa social e - wait for it – carrega uma mochila nas costas. Dentro da mochila, a vida do nerd: seu precioso notebook.
Ah, iulo, mas você é analista de sistemas, você tem um notebook e uma mochila. Ok, ok! Eu sou da área, amiguinhos. Mas em minha defesa digo o seguinte: eu não fico o tempo inteiro falando sobre tecnologia. Gosto do que faço, mas não sou obcecado por isso. Aliás, quando chego em casa, a última coisa que quero falar é sobre computadores. Quando sai uma versão nova do Windows eu fico puto por ter que formatar o computador, fazer backup, instalar o sistema operacional novo, baixar drive, atualizar anti-vírus, procurar meu papel de parede do Beto Jamaica na internet e… cara, eu odeio MUITO formatar computadores (#fikdik). Eu odeio papos nerds e odeio quando puxam esse tipo de assunto comigo. Computador pra mim é trabalho, e por mais que eu goste do meu trabalho, não gosto de trabalhar o tempo inteiro. Além disso, eu não uso roupa social. O resumo é: diferente dos nerds, eu não tenho orgasmos com tecnologia.
Para ilustrar o motivo do meu ódio ao nerd, conto-lhes um causo que aconteceu comigo recentemente. É assim:
Semana passada estive num treinamento no Rio. Um dos momentos do treino envolvia desmontar e montar novamente um certo equipamento eletrônico, composto de várias partes, onde cada parte tinha um punhado de componentes. No meu trabalho raramente preciso desmontar um treco daqueles por completo (até porque eu trabalho de fato é com software). Então para mim bastava abrí-lo, tomar conhecimento do que era cada componente e saber qual peça eu deveria trocar para determinado defeito. Eu não precisava desmontar TODO o equipamento, nem remover TODOS os parafusos. Mas a tarefa deveria ser realizada por grupos de 4 pessoas e, CLARO, no meu grupo tinha um computéfilo que queria desmontar TODO o equipamento.
Resignado com o excesso do rapaz, fiquei observando. Quando vi que a desmontagem já estava ultrapassando o limite do aceitável (?), comentei:
-Cara, eu acho que não precisa desmontar tudo isso, o equipamento que vamos usar já vem montado de fábrica…
Ao passo que o nerd, enquanto uma baba metafórica de satisfação escorria da sua boca estúpida, respondeu:
-Dãaaaaaaa, eu não sei vocês, mas eeeeeu vou desmontaarrrr TUUDOOOO!
Eu soltei um filho da puta! mental e o babaca seguiu desmontando tudo que podia, pegando cada placa eletrônica e comentando coisas do tipo: isso aqui é um capacitooooOOoOOrrr, isso aqui é o reléeee, nossaaaa que voltageeeeEEEmmm, quero enfiar no meu raaaaaboooo.
Ok, eu poderia ignorar o nerdão e deixá-lo lá, não podia? Podia, podia? NÃO, não podia! Era fim do dia e para voltar ao hotel e finalmente descansar do vôo que eu havia pego às 4h da manhã, o aparelho deveria estar completamente montado novamente, pois era aquele equipamento que seria usado no dia seguinte para o treinamento do software.
Mas aí que vem o detalhe master: o nosso aparelho, originalmente, veio montado com um cabo no lugar errado – coisa que só descobrimos bem depois. Enquanto não sabíamos disso, tentamos montá-lo do mesmo jeito que recebemos, coisa que não era possível por causa do tal cabo. Tentamos de um jeito, tentamos de outro e nada. E o nerdão?
Véio, você não entendendo. VÉIO. NO MEIO DO PROCESSO O NERDÃO LARGOU O BARCO E FOI NERDIAR POR OUTRAS MESAS. Ele viu que a coisa ficou difícil e se mandou.
-MAS VOCÊ NÃO QUERIA DESMONTAR AQUELA MERDA TODA SEU MERDA DE MERDA? AGORA QUE VOCÊ JÁ MERDIOU TUDO VOCÊ LARGA A MERDA AQUI?
O que esse imbecil fez foi equivalente a DESFRUTAR de uma mulher (Wando, oi?), buliná-la de todas as formas possíveis e depois largá-la pelada na beira da estrada com duas balas de maçã verde dizendo tchau, gatinha. Isso com duas ressalvas:
1) a mulher nesse caso é o equipamento e;
2) aquele nerdão, COM CERTEZA, nunca tocou numa mulher.
A única coisa que eu penso em escrever para terminar esse texto são 2 litros de palavrões, então vou ficar quieto e dizer somente isso: odeio nerds.