09:00 am, iulo
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tu ta ta, tu tu pa ra ra?

Outro dia vi no fundo do carro de uma mulher o adesivo Sou chicleteira.

Fiquei me perguntando que tipo de vazio existencial leva uma pessoa a esse tipo de coisa. Pior que adesivo no carro, tem gente que tatua, por exemplo, a logomarca (?) do Asa de Águia no corpo.

Penso que uma pessoa que afirma tão publicamente ser chicleteira busca passar uma idéia de que não é tediosa, gorda e mal-amada, certo? Ela tá tentando mostrar que é gostosa, bebe cerveja, fica suada e pega herpes nos shows do Chiclete com Banana, né? E isso é uma coisa boa, certo? Ela é legal pacaraleos, certo? Todo mundo quer ser amigo dela, CERTO?

Antes que os axezeiros da Bahia inteira venham me crucificar, eu acharia babaca se no lugar do chiclete fosse qualquer banda, de qualquer estilo.

Acho bizarro que o fato de gostar de uma banda seja uma característica tão marcante de uma pessoa a ponto dela exibir isso num carro. Aliás, característica nenhuma seria marcante o suficiente para justificar o fato. Afinal, se você encontrasse uma pessoa cujo carro exibisse o adesivo ‘sou elegante’ - ou algo do tipo - você também acharia idiota.

Dito isso, é lógico que é mais grave ainda tratando-se de um adesivo de banda de axé.

Mesmo que me obrigassem a colar no carro um adesivo de algo que gosto (só sendo obrigado para eu fazer isso), eu nunca escolheria um que falasse do meu apreço por alguma banda, mesmo que a banda fosse muito boa.

Colar o adesivo sou chicleteiro então… soa (atenção psicólogos de plantão, eu disse soa) como se a pessoa se definisse por aquilo. Como se aquilo fosse a característica mais pungente de sua personalidade (afinal ela quis mostrar para todos) e como se aquilo reunisse em duas palavras todo o conjunto de características legais de um axezeiro :D

Afinal de contas, a pessoa teve que comprar o adesivo em algum lugar e executar a ação de colar no carro. Ou se ganhou o adesivo, tinha o arbítrio de jogar fora. Então acho que ninguém colaria uma coisa dessas se não significasse algo ou se não tivesse alguma importância.

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Aproveitando, eu queria dizer que o Bel é um motherfucking gênio e lavadeiro cerebral. Metade das músicas dele são repetições aleatórias das palavras chiclete, chicleteiro ou chicleteira e todo mundo cai na onda de que ser chicleteiro(a) é uma coisa MUITO boa. O cara fez uma banda metalinguística - uma banda para falar sobre a própria banda (?) - e tá rico. GÊNIO.

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Por fim, Oprah pergunta: se você fosse obrigado a colar uma frase no seu carro começando com Sou… o que você colaria?

Eu, particularmente, ficaria seriamente indeciso entre sou um bêbado de fim de semana ou sou putão.


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