09:15 am, iulo
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críticos de cinema

Críticos de cinema são os seres mais motherfuckers que existem. Quando um deles diz que o filme é ruim, faço questão de assistir. E fico com o pé atrás quando dizem que é bom. Devia haver uma regulamentação que obrigasse críticos de cinema a fazer suas avaliações com base em critérios objetivos:

  • Fotografia – 8
  • Música – 7
  • Atuações – 5
  • História – 4
  • Chato, divertido ou reflexivo? Chato.
  • Alguém cagou o final do filme? Sim.
  • Existe algum personagem que causa vergonha alheia? Sim.
  • Aparece algum pênis? Não.
  • Pode ser visto com a sogra ao lado? Sim.
  • Se há pistolas, elas conseguem atirar mais balas do que permitem as leis do universo? Sim.
  • Entre morrer ou ter que assistir de novo? Assistir de novo é já estar no inferno.
  • Para você ‘Quero Ser John Malkovich’ é bom ou ruim’? Ruim.

    – Se a sua resposta para a última pergunta for ‘bom’: rasgue essa crítica, morra, ressuscite, toque fogo na crítica e morra de novo.

Então. Nem poesia consegue ser mais subjetiva que crítica de cinema. Você lê a resenha do filme uma, duas, três vezes e fica se perguntando: mas que merda esse imbecil tá tentando me dizer?

Juro. Geralmente eu não consigo saber se o crítico odiou o filme, mas quer que eu assista; ou se o filme é bom, mas ele não quer que eu assista porque o galã principal não atuou com ‘honestidade’ (?) e seu ‘excesso de complacência’ foi sobrepujado feericamente pela atuação ‘comedida’ da atriz coadjuvante.

Aliás, as críticas de cinema que leio, em outras palavras geralmente só me dizem: deixou a desejar. Nenhum filme nunca alcança o ideal esperado pelos deuses do cinema (onde José Wilker interpreta Zeus).

Bicho, eu quero saber objetivamente se o filme é bom ou chato, se a história é legal, se os atores são convincentes, se a fotografia tá boa, se a música se encaixa! E se ninguém cagar tudo no final, eu vou ficar bem feliz.

Para ficar em um exemplo, transcrevo um trecho da crítica de Isabela Boscov sobre Alice no País das Maravilhas:

Quando Johnny Depp está em cena, com lentes que deixam seus olhos repletos de melancolia do tamanho de dois pires, o filme transpira o que de fato gostaria de ser – mais uma história em que Depp assume o lugar de alter ego trágico do diretor, e em que garotas perdidas em um labirinto de silogismos provavelmente não teriam muito o que fazer.

Véi. HERMANOTEU, VÉI. O mar fechou e eu fiquei.

Assim como ela (?), eu não gostei do filme, eu só acho que é SACO demais ficar interpretando os olhos do personagem e com isso concluir que o diretor queria agir de maneira tal ou não.

Quisera eu ser mais observador ao assistir um filme e notar certas nuances, mas deve ser muito chato assistir a todos os filmes com TANTA observação, esmiuçando todas as subjetividades e a partir da cor da parede de um ambiente concluir que o diretor comeu sucrilhos no café.

Lógico que a opinião de uma pessoa que adora filmes cheios de efeitos especiais não deve ser levada em consideração - eu me prendo aos efeitos e fico cego para subjetividades. Mas é fato que só críticos de cinema têm a perspicácia mística do Dr. House.

Roundhouse kick na cara de vocês.


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