
Uma coisa que nunca entendi é futebol. Não enquanto esporte, pois acho muito divertido. Já joguei inúmeras vezes – muito mal, diga-se – mas já joguei.
Mas o que eu não entendo é toda essa adoração que se cria em torno dos times. Basta chegar o domingo e no twitter, tv e facebook só se vê isso: futebol. Se você é baiano como eu, o que se vê é um ‘bora bahêaa pra cá’, ’Vicetória’ pra lá, ‘chupa’ não sei quem, ‘meu time é melhor que o seu’, ‘chora tricolor’ e etc etc.
As pessoas defendem seus times do coração como quem defende a própria mãe. Não entendo mesmo que um ser humano tente justificar a derrota do seu time como quem explica uma brochada épica para a patroa. Cada vez que vejo um torcedor chorando na TV, sinto vergonha alheia.
E QUAL É O PROBLEMA, AFINAL?
São dois. O primeiro é que acompanhar um time por todos os campeonatos do qual ele participa é muito tedioso. Partidas de futebol não são como filmes ou séries, diferentes, com um enredo que possa mudar. São basicamente iguais. Ponto. Futebol é legal. Mas em doses cavalares, como essas consumidas pelos brasileiros, é chato.
O segundo problema é: eu entendo pessoas que admiram um cantor, um escritor, um político, um líder religioso, um parente, um amigo. Ou, para ficar em exemplos no próprio esporte, é perfeitamente possível torcer para um nadador ou boxeador da sua cidade. São todas figuras palpáveis (hein?), passíveis de acompanhamento real de seus feitos e evoluções. E com um motivo real para simpatizar ou identificar-se.
Mas o que é um time de futebol?
Pelo que eu entendo, um time de futebol é formado, basicamente, por jogadores e um treinador. Isso significa que, numa situação hipotética, se um torcedor do Bahia conjura todas as maldições aprendidas em Hogwarts contra os 11 jogadores e o treinador de hoje do Vitória, no ano que vem estes mesmos 11 jogadores e treinador podem estar todos com contrato assinado para atuarem no Bahêa, seu time do coração. E você torcerá por todos eles como se fossem seus irmãos de sangue. Não importa que ano passado essa mesma equipe tenha feito com que seu time queridão perdesse o campeonato.
Pra mim isso já é argumento o suficiente pra achar toda essa coisa uma bobagem muito grande.
Aí alguém vai dizer: mas eu torço é para o time, para as cores, para o escudo, é por aquela bandeira que eu sofro.
Olha, que bonito, viu?
Ou seja, em determinado momento da história um conjunto de jogadores decidiu organizar um time para poder participar de campeonatos e de alguma forma você, décadas depois, se identifica com aquilo? Mesmo que a sua existência sequer fosse cogitada à época? Mesmo que seja uma associação de jogadores originária de uma cidade ou estado que não tem absolutamente nada a ver com a sua terra natal?
Ah, mas foi o meu pai que me ensinou a torcer, é paixão de família!
Isso quer dizer que se hoje eu:
- Juntar um punhado de jogadores
- Auto proclamar-me treinador destes
- Unifica-los sob uma bandeira azul com o desenho de uma piroca
- Criar um hino
- Chamar a este conjunto todo de Piroca Futebol Clube
- E convencer um boa quantidade de pessoas que torcer pelo PFC é uma coisa muito legal
- E torcer pelo Pirocão tornar-se uma tradição da sua família
- E o time permanecer com uma torcida ativa e participando de campeonatos durante muitos e muitos anos
Daqui há 3 ou 4 décadas um neto seu vai sair por aí afirmando que é piroqueiro desde criancinha?, e no aniversário dele você vai comprar uma bela camisa azul com uma piroca no escudo e presenteá-lo?, e ele vai vestí-la e sair gritando pela casa boraaa pirocaaaaaa?, e… é essa a lógica?
Tá bom.
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OBS1: Eu não quero ver ninguém putinho comigo. Só quero que sejam homenzinhos e admitam: morro do coração por esse time, continuarei assim, mas não faço ideia do porquê torço pra ele.
OBS2: Sim, torço pela Seleção Brasileira, sofro, choro, acho todo o espetáculo muito bonito. Mas, neste caso, além da beleza do jogo, me identifico com o fato de o meu país estar representado naquelas cores, naqueles jogadores e naquele treinador. Aí sim, dá orgulho de dizer que é o meu time.