
Eu amo a internet. Ela é linda. Permite-me um milhão de coisas que eu não podia há alguns anos atrás. Such as: fazer amigos, publicar idéias, baixar músicas, filmes e seriados num piscar de olhos. Aprender. Compartilhar. Manter contato com pessoas queridas. E muito mais.
Entretanto, quase na mesma proporção em que a internet me dá prazer, ela me irrita. Muito. De maneira profunda. Por quê? Motivos a seguir:
NÚMERO 1: MIMIMI.
Internet é um lugar onde as pessoas ficam mimizando sobre TUDO o tempo TODO (via Twitter, Facebook e Youtube).
Claro, há de se separar pessoas que fazem mimimi com uma pitada inteligente, irônica e engraçada de humor daquelas que estão sempre mimizando gratuitamente.
Porém, no geral o que existe são inúmeras pessoas mimizentas para as quais eu não tenho paciência alguma, como por exemplo: os adoradores do sábado. Essas pessoas que semanas após semana já começam a segunda-feira batendo punheta para o sábado deveriam sair da internet, formar uma seita na puta que pariu e declarar que qualquer tipo de conexão com a internet é pecado. Bicho, se você não nasceu em berço de ouro, se você PRECISA de trabalho, cala a porra desta boca e vai trabalhar sem ser um manezão.
Eu vejo muitas coisas absurdas, você conhece inúmeras também. Não vou citar todos os exemplos, mas uma arte recente digna de nota é: criticar o ‘politicamente correto’. Maluco vem abrir a boca e reclamar que ser politicamente correto é chato e que é modinha. Só que na cabeça dessas pessoas, o politicamente correto é defender minorias, é ser contra o racismo, contra a homofobia, contra a morte indiscriminada de animais.
Porém, amiguinho, PROTEGER MINORIAS E INDEFESOS NÃO É SER POLITICAMENTE CORRETO, é simplesmente ser humano e empatizar-se com o sofrimento dos outros.
Já a correção política (que você cita erroneamente), é simplesmente buscar se expressar de maneira neutra, sem que nenhum grupo social se ofenda com sua fala. Eu, ao falar um monte de palavrões, estou sendo politicamente incorreto, porque algum grupo de pessoa está se ofendendo.
Já você que acha ultrapassado e entediante protestar contra crimes, não está sendo politicamente incorreto, só está sendo babaca mesmo.
Pausa - antes de vir nos comentários falar que eu também reclamo no Twitter e mimimi, uma informação: 98% das minhas reclamações são para fazer troça e os outros 2% provavelmente são reclamações com algum sentido.
Tá, MESTRE. Mas o que diferencia uma reclamação verdadeira de um mimimi chiliquento? Várias coisas:
- A FUTILIDADE DA RECLAMAÇÃO
Exemplos:
- Ai, São Pedro, dá um tempo.
(Caralha, o clima na sua cidade é o mesmo desde que você nasceu: ora faz chuva, ora faz sol. Tantos anos e você ainda não se acostumou, capeta?)- Ai, tenho prova hoje, não aguento.
(Ô merda, para você ter um curso superior é preciso fazer provas. Não tá gostando, larga a faculdade e vai se prostituir, porra.)
- O CONTRADITÓRIO NA SEQUÊNCIA DE RECLAMAÇÕES
Exemplos:
- Ai, que calor.
(Mas não tava reclamando agora há pouco da chuva, cara de pica?)
- Ai, que tédio, nada pra fazer, não vejo a hora de as aulas começarem.
(Pooorraaaaaaaaaaaaaaaaaa, demôoooooooooonia.)
Esse item demonstra que a reclamação não tem embasamento, e nem tenta ser engraçada. É só a cuzice de ficar reclamando mesmo, seja lá por qual motivo for.
- A REPETIÇÃO DAS RECLAMAÇÕES
Que tal: a cada 2 dias reclamar que seu vizinho é um idiota, que seu trabalho é uma bosta, que sua empregada é uma anta ou ficar dando as mesmas indiretas de sempre para aquela pessoa que todo mundo sabe de quem você está falando?
- A OBVIEDADE DAS RECLAMAÇÕES
Não, sério?, você odeia tomar fechada no trânsito? Você não gosta nem um pouco de fila de banco? Você acha ruim quando a imprensa cobre alguma coisa extremamente fútil? Você não aguenta assistir horário político? O quêeeeeeeeeeeeee????? VOCÊ ACHA O FAUSTÃO UM CHAAATOOO? NÃO ACREDITOOOOO! JURA PRA MIM BEM JURADINHO QUE VOCÊ ODEIA TOPAR O DEDÃO DO PÉ? JURA? JURA? QUE ME DÁ O SEU AMOR? QUE ME DÁ, QUE ME DÁ?
OLHA, POXA, QUE NOVIDADE, AMIGO, VOCÊ É TÃO DIFERENTÃO. VOU TE SEGUIR AGORA, SÓ PARA FICAR OUVINDO VOCÊ RECLAMAR BEM GOSTOSINHO DE TODAS ESSAS COISAS MEGA INUSITADAS.
Ficou claro?
NÚMERO 2: TODO MUNDO É IGUAL E IGUALMENTE PREVISÍVEL NESTA MERDA
Você já notou como todo mundo fala das mesmas coisas e do mesmo jeito?
As pessoas são todas umas robôzinhas de segunda categoria com o pensamento unificado por um mesmo mantra. Só sabem falar das mesmas coisinhas, reclamar dos mesmos troços, fazer as mesmas piadinhas. Dá pra sentir BEM essa questão quando acontece algum grande evento no mundo: você já sabe que 97% das pessoas vão ficar na internet ENCUZANDO sobre aquele assunto até gastá-lo DE TODAS AS FORMAS POSSÍVEIS.
Exemplos:
- O palhaço Tiririca foi eleito. TODO MUNDO vai ficar fazendo as mesmas gracinhas, criticando os políticos através de clichês, fazendo comparações medíocres, de alguma forma vão colocar o Sarney no meio da conversa e fim.
- Casamento real na inglaterra: 90% das pessoas acham idiota e fútil. 90% das pessoas vão fazer O MESMO tipo de comentário e vão achar um absurdo, e vão chamar a imprensa de sensacionalista e vão passar dias falando sobre isso sem parar e no fim das contas vão acabar dando ainda mais atenção à coisa toda ao invés de simplesmente ignorá-la.
E aí vão surgir infográficos sobre o assunto, paródias, musiquinhas, cartazes, boquetes enquetes – e em parte até acho tudo isso legal porque algumas criações são realmente engraçadas (algumas), mas a ENORME MAIORIA 22CM MOLE será absolutamente sem graça.
Aí você vai me dizer: ah, seu babaca revoltadinho, o unfollow tá aí pra isso. E eu te respondo: bem sei. Vai olhar quantas pessoas eu sigo no Twitter? Cada dia menos. Olha quantos amigos eu tenho no Facebook? Pouquíssimos. Exatamente porque eu tô extremamente cansado dessas coisinhas, de gente pequenina, com a mentezinha apertadinha, dessa massificação generalizada que a internet produz. E cada dia fecho mais meus olhos para isso.
NÚMERO 3: O FALSO SENTIMENTO DE ~ESPECIALIDADE~ PROVOCADO PELA INTERNET
Então você é a única pessoa que sabe tirar uma foto de ângulo inusitado com efeito escroto no Instagram e publicar na internet? Tá se achando o pirocão por isso, né?
Seu blog é o único que tem um layout bonitão e uma frase engraçadinha no cabeçalho?
Não, sério, você se sente especial por causa dessas coisas?
A maior prova de que uma pessoa na internet se acha, mesmo sem perceber, é quando ela pensa que suas opiniões são tão importantes que ela passa o dia inteiro floodando a timeline dos outros no Twitter, falando a cada 10 minutos sobre coisas provavelmente irrelevantes.
Mano, reflete: as pessoas que te seguem só seguem a você e têm tempo de acompanhar 30, 40, 50 tweets diários vindos da sua pessoa? E as outras pessoas que ela segue? E o resto do tempo em que ela precisa errrr, viver?
Eu fico impressionado como há não uma ou duas, mas CENTENAS de pessoas sem noção que acham que ter uma conta no Twitter é o mesmo que ser um grande gênio no palco de um gigantesco auditório abarrotado de pessoas sedentas por ouvir o profundo conhecimento que escorre da sua boca.
NÚMERO 4: SOU CARENTE, ME DÁ ATENÇÃO
A internet é um meio orgasmático para pessoas carentes que precisam de atenção. Qualquer tipo de atenção.
Sabe aquele tipo de pessoa que pega um probleminha bobinho e transforma num problemão e vai ficar choramingando no status do Facebook, ou contando a história pela metade no Twitter, só para deixar as outras pessoas alarmadas?, só para ganhar uma atençãozinha?
Tem gente que publica fotos para compartilhar com os amigos, o que é muito legal. Tem gente que publica algumas fotos tão sem cabimento que meu braço não atravessa o monitor em forma de soco por conta de muito auto-controle.
Tem gente que fica o tempo inteiro deixando comentários agressivos em status e fotos de conhecidos só para pagar de foda-pirocudo-destemido. E quando as pessoas se ofendem, a culpa é dos outros que ‘são muito sensíveis’. AHN?
NÚMERO 5: VOCÊ TEM QUE ACEITAR TUDO
Pegando carona no parágrafo anterior, concluo citando o último grande problema que vejo na internet: isso aqui é terra de ninguém.
Portanto, ou você entra no jogo, ou você é fraco. Se não aguenta brincar, não desce pro play. O que significa que você precisa aceitar toda e qualquer ‘brincadeira’ que façam com você.
Na vida real e na internet eu sigo a seguinte máxima: brinco com todos e sobre tudo, mas se o alvo da brincadeira fica triste, eu paro. Pode ser a maior besteira do mundo que levou a pessoa a se chatear, pode ser que eu no lugar dela aguentasse uma brincadeira um milhão de vezes pior, pode ser que eu nunca venha a entender o motivo dela não ter gostado, mas não importa: se a pessoa não gostou, eu paro, eu quero que ela fique bem, é mais importante o bem-estar dela do que a minha diversão ou a minha fama de sou foda.
Ou seja, se eu começo a chamar um amigo por um apelido aparentemente inocente, ou cito um defeito bobo dele por troça, ou faço uma montagem com uma foto que ele não gostou, basta me falar com todas as letras ‘não gostei’ que aquilo cessa. Não precisa nem gritar. Agora vai ver como pessoas que se dizem amigas se tratam na internet? O negócio é zuá e respeito é para os fracos.
PORTANTO
Cabô. Como eu estou verdadeiramente de saco cheio de pessoas da internet, não vou perder tempo algum respondendo comentários infundados, superficiais ou produzidos por pessoas em visível estado de desconexão com este planeta. Ou seja, já deixo aqui o seu: foda-se.
Por fim, sigam as únicas pessoas do mundo que conseguem ser uma combinação de mini-mimizentas e engraçadas ao mesmo tempo:
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NOTA DESTE QUE VOS FALA: esse texto não é uma indireta para absolutamente ninguém. Se você se identificou com qualquer um dos exemplos citados, acredite, eu vi muitas outras pessoas cometerem a mesma estupidez de seja lá qual exemplo você se identificou. Então, realmente, nada aqui foi dirigido direta ou indiretamente para nenhuma pessoa em especial. Se mesmo assim você se sentiu pura, única, exclusiva e subjetivamente citado, repito: você não é tão especial assim, vá dormir.