Ele de fato tá indo. Morou aqui do lado por tanto tempo. Eu mesmo fui embora certa vez. Mas não éramos tão amigos assim. E logo voltei. Depois, com uma certa maturidade, com determinadas experiências e decepções em comum, foi inevitável não surgir uma cúmplicidade que ia da divisão da comida aos embaraços do dia a dia. Eu sei que ele não vai pra tão longe assim. Sei também que apesar da proximidade das nossas casas, a gente anda meio sem tempo. Mas de qualquer forma é triste, saber que ele não vai mais estar há alguns metros. E que inevitavelmente, distância, por menor que seja, desgasta as coisas num ritmo que você nem vê. Olho pra trás e são lá seus oito ou nove anos de amizade. E simplesmente não dá pra achar que tá tudo bem. As coisas mudam camarada.