12:00 am, iulo
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entenda bioshock

nota: esse post não é para os meus leitores usuais. Se você não gosta de video-games, passe para o próximo post! =)

Pra mim Bioshock é o melhor jogo de PS3 até então. Eu não vou ficar aqui defendendo os porquês. Até porque ele não tem os melhores gráficos dos jogos modernos (COD 4, por exemplo, tem gráficos muito mais estupradores) então muita gente iria levantar isso como argumento e a coisa toda perderia o sentido. O fato é que quando você joga concentrado, o game te envolve de uma maneira absurda!

O cenário é envolvente, o som, as armas, os sustos (e são muitos sustos), os poderes e, acima de tudo, o enredo. Ligue as legendas do jogo no menu options. Bom se você quiser uma review completa do jogo (que é de 2007) tem aos montes no google - meu objetivo agora é simplesmente fazer um resumo do enredo, pois, como eu falei, a história é o melhor elemento do jogo. E se você não entendê-lo, não tem graça! E também não vale a pena jogar o Bioshock 2 (que sai em fevereiro de 2010) sem entender o primeiro. 

Nota 1: é um resumão mesmo, e feito de cabeça, então posso errar e/ou omitir partes então nem chorem, nerds chatos flamers do cão. A idéia é só situar você no jogo mesmo.
Nota 2: todos os spoilers do jogo estarão no texto abaixo. Não leia se você não zerou o jogo ainda.
Nota 3: você pode ler a história completa, em inglês, aqui.

Então é o seguinte:


Andrew Ryan

Andrew Ryan era um russo bilionário erradicado nos Estados Unidos que ficou puto com as medidas tomadas pelo governo americano durante a grande depressão. Em 1946, ele decidiu construir uma cidade baseada nos seus próprios princípios, onde só viveriam as “melhores” pessoas da sociedade. Pessoas inteligentes, com bons ideais e etc e tal. Ele queria construir a sociedade perfeita. Com as suas tecnologias insanas, ele constrói essa cidade embaixo d’água e a chama de Rapture. Era uma cidade auto-suficiente, produzia comida, oxigênio, bens de consumo, riqueza e etc etc. 

Julie Langford

Pesquisadora contratada por Andrew Ryan, construiu uma fazenda submarina em Arcadia, que se tornou o pulmão de Rapture. 

Frank Fontaine

Era um rico comerciante em Rapture, que fez ainda mais dinheiro contrabandeando coisas do “mundo exterior” como bíblias e cruzes. Rapture oficialmente não tinha religião (lembre-se sempre que Andrew era revoltado com qualquer tipo de ofensa à liberdade e ao direito pessoal de cada um; então religião entrava na conta). A cidade possuía somente uma porta de entrada (e de saída para o mundo exterior). Frank Fontaine (FF) tinha um apelo muito grande entre as camadas mais pobres da sociedade de Rapture, pois lhes dava atenção. Queria poder. Criava gangues, recrutando “soldados” que faziam bagunça pela cidade ao seu comando. 

*Uma das coisas que Frank Fontaine vendia, eram gravadores de aúdio, que todo mundo usava. Por isso você encontra no jogo várias gravações de pessoas diferentes. 

Bridgette Tenenbaum

Pesquisadora que descobriu a existência de uma substância chamada ADAM, que era produzida por lesmas marinhas e que tinha o poder de curar as pessoas e, além disso, de modificar características genéticas das pessoas. Com a combinação do EVE (que é uma espécie de combustível para o uso do ADAM) as pessoas poderiam ter os poderes que você vê pelo jogo. NO começo, Tenenbaum procurou patrocínio para as suas pesquisas sem sucesso. Somente FF dera a ela a grana necessária para a pesquisa, e logo FF passou a contrabandear ADAM por toda a cidade de Rapture. 

*Dr. Suchong – a partir de agora será chamado de Dr. S - era parceiro de pesquisas de Tenenbaum. Dr. S é quem desenvolveu os plasmids, que são modificações do ADAM que permitiam às pessoas terem poderes (controlar fogo, gelo, ar, telecinese e etc) com a combinação de EVE. 

Little Sisters

Com o uso de ADAM, as cirurgias plásticas se tornaram uma obsessão em Rapture. Com o poder de cura da substância, as pessoas poderiam modificar o que quisessem e ficaram obcecadas com isso. O problema é que o ADAM deixava as células das pessoas instáveis, e lhes causava transtornos físicos (desfiguramento, por exemplo) e mentais, que só poderiam ser corrigidos com novas cirurgias; logo com o uso de mais ADAM. Portanto, FF ficou ainda mais rico vendendo ADAM e os plasmids que davam poderes às pessoas por toda a Rapture. O processo de integração entre ADAM e as pessoas era chamado de “splicing” (do inglês: união, junção, ligação) – daí o nome Splicers que as pessoas recebem no jogo. 

Com esse ciclo vicioso, ADAM se tornou escasso em Rapture. Posteriormente, Tenenbaum descobriu que uma forma de produzir de 20 a 30 vezes mais ADAM eram implantar as tais lesmas em corpos humanos, como hospedeiros. Por um acaso que eu desconheço, as lesmas só se implantavam em meninas de 7 a 9 anos. Daí as Little Sisters. Originalmente elas foram criadas somente para produzir ADAM (aquela coisa de andar com agulhas nas mãos coletando ADAMs vem adiante). 

Frank Fontaine x Andrew Ryan

FF passou a ser uma ameaça ao poder de Andrew Ryan, tanto ideologicamente como na prática, pois FF estava ficando muito rico e querido pelo povo; fazendo oposição aos ideais de Andrew. Além disso, FF era um safadão e queria tomar o poder da cidade. Ele criava gangues poderosas, dando ADAM para seus soldados recrutados nas classes mais pobres. Lógico que ele fazia isso nas escondidas, sem relevar que ele era o malvadão. Andrew Ryan acreditava que FF estava por trás de tudo, mas não tinha provas que ligassem FF ao ADAM e às gangues de Splicers. 

Em um dado momento, puto da vida, Andrew Ryan decidiu implementar a pena de morte para os baderneiros, ladrões, gângsters e etc etc (por isso você vê um monte de gente enforcada pela cidade! Agora tudo faz sentido não é?). Isso causou uma revolta em Rapture. 

Jack Ryan (o personagem que você controla)

Frank Fontaine tava ferrado. Andrew Ryan queria a todo custo meter a zorra nele. Em paralelo, a crise social na cidade ia aumentando. FF monta então um plano reserva. Ele paga para que a amante de Andrew engravide dele sem que ele saiba, coleta o óvulo e cria a criança (Jack). Com alterações genéticas, Dr. S faz com que a criança de 1 ano fique grande como um rapaz de 19 e implanta nele memórias que não existem. Jack é pré-programado para fazer qualquer coisa que peçam a ele com o uso da frase “Would you kindly?” (você poderia gentilmente?). 

Além disso, caso Jack caísse em mãos erradas, foi implantado um segundo comando, o “Code Yellow” que fazia com que os batimentos cardíacos de Jack fossem diminuindo lentamente até que ele morrese (humm, entendeu o que acontece naquela hora? Pois é). Então Jack é mandado para a superfície, com mémorias falsas, sem saber de nada e vive a vida dele numa suposta família até que FF o requisitasse. 

Pausa para reflexão

Tenenbaum começa a sentir peso na consciência por usar as Little Sisters em experiências genéticas e se afasta, criando um orfanato para as meninas. A partir de agora somente Dr. S trabalha e sabe como manipular ADAMs e EVEs. 

E aí?

E aí FF tem um plano: ele finge a sua morte num tiroteio. Seu corpo nunca é achado e ele volta como Atlas, um herói de guerra que é muito querido pelo povo e faz forte oposição a Andrew Ryan. Lógico que você só descobre isso bem depois. 

Bom, com a suposta morte de Frank Fontaine, Andrew se torna um ditador em Rapture, para evitar o caos. Assim a paz social de certa forma estava mantida, mesmo que fosse às custas de um braço de ferro. 

Acabou?

Acabou nada! Na virada do ano de 1959, os Splicers de FF (agora como Atlas) fazem uma revolta total, destroem tudo, matam gente, fazem aquele auê (?) e aí é que se instala a guerra civil em Rapture. E é por isso que a cidade está toda detonada. Como era a festa de ano-novo, é por isso que a galera no jogo usa aquelas máscaras de festa, ou de coelho e tudo mais. Ahnnnnn, ficou feliz agora, né? Sem falar que com o uso constante de ADAM os Splicers iam ficando deformados, portanto, se utilizando de máscaras para esconder a feiúra. 

Andrew Ryan se isola em seu escritório e a cidade passa a ser dividida em duas. Andrew cerca tudo, coloca câmeras, metralhadoras (os turrets, lembra?), checkpoints e toda aquela parafernália a qual você está acostumado a ver no jogo. Uma outra coisa que Andrew faz é bloquear o funcionamento do metrô da cidade (as bathyspheres) para que somente ele pudesse se locomover. A chave para o funcionamento das bathyspheres era o código genético de Andrew. Como na época essa ciência ainda não era bem dominada, acaba que qualquer parente próximo a ele poderia se locomover pela cidade. Por isso o Jack também pode andar por toda a cidade. 

Outro detalhe importante são as Vita-Chambers, que foram construídas por Andrew para que em caso de sua morte ele fosse reconstituído genéticamente através dos ADAMs. Então virtualmente ele é imortal. Assim como Jack, que tem o mesmo código genético. Ótima explicação para o morre/ressuscita frenético do jogo, confesse. 

Bom, com a cidade em guerra, plasmids eram vendidos pelos comerciantes em máquinas espalhadas pelas cidades, armas, munições, kits de primeiros socorros e tudo mais. 

Jack entra em cena

Atlas/FF ativa seu plano reserva: você. Jack é colocado num avião com um presente e um bilhete que diz: “Você poderia gentilmente não abrir até 63* 2’ N - 29* 55’ W?, com amor papai e mamãe”. Esses números são as coordenadas de Rapture. Quando ele abre o pacote, encontra uma arma e (seguindo ordens dadas através do “você poderia gentilmente?”) sequestra o avião e faz com que ele caia sobre Rapture. Aí é que o jogo começa, com você nadando até a entrada da cidade. 

Dr. Suchong

Sem Tenenbaum (que teve ataque de consciência) e sem Fontaine (que estava “morto”), Dr. S era o único conhecedor de ADAM e das Little Sisters. Ele passa para o lado de Andrew Ryan. Com a sempre crescente demanda por ADAM, ele modifica as Littles para que, além de produzirem, elas coletem ADAM dos mortos. As Littles Sisters não poderiam vagar livremente pela cidade atrás de corpos, pois seriam alvo dos Splicers sedentos por ADAM. Daí Dr. S cria os Big Daddies, que são humanos integrados à maquinas fortíssimas. Os humanos que são recrutados para se tornarem Big Daddies perdem suas memórias e seu poder de escolha. Eles só podem proteger as Little Sisters. Como eles só têm esse objetivo, é por isso que você os vê vagando por aí em procura de uma Little Sister para proteger. 

As Little Sisters chamam o Big Daddy de Mr. Bubbles ou Mr. B (o tempo inteiro você as ouve falando isso). Elas foram mentalmente modificadas para reconherem os mortos como Anjos (angels), que é outra coisa que elas também falam muito. Elas usam uma seringa que permite extrair o ADAM dos mortos, injetá-lo nelas mesmas e dentro dos seus corpos transformar a gororoba em ADAM reutilizável. 

É por isso que quando você encontra uma Little Sister você pode escolher entre resgatar (rescue) ou ceifar (harvest) uma Little Sister. Harvest lhe dá todo o ADAM da Little Sister, mas ela morre no processo. Por isso Tenenbaum pede que você as resgate, absorvendo somente ADAM o suficiente para livrá-las da influência psycho da substância – e promete lhe recompensar por isso ao longo do jogo. Mas a escolha é sua e o final do game muda a depender dessa escolha que você faz. 

*Vale lembrar que Andrew Ryan passou a sequestrar as filhas dos cidadãos para se tornarem Little Sisters. Ao passo que Atlas montou um orfanato com esse intuito. 

*Outra coisa importante é que em um dado momento, Andrew e Dr. S lançaram no ar da cidade um plasmid que permitia controlar a mente das pessoas. Por isso muitos Splicers obedecem a Andrew Ryan. 

*Dr. S morre posteriormente num acidente com um Big Daddy. 

Começo do jogo

Ao entrar no elevador de Rapture (que só funciona pois você tem o mesmo código genético que Andrew), Atlas se apresenta pelo rádio e diz que vai lhe guiar em segurança pela cidade e pede para que Jack o ajude a salvar sua família, que supostamente estava presa no submarino (lembra?), que posteriormente é explodido por Andrew. 

Esse assassinato faz com que Jack tenha um motivo para atender ao pedido de Atlas de (“would you kindly”) matar Andrew. Desde o início do jogo Andrew (que não sabe ainda que Jack é filho dele) tenta matá-lo, achando que Jack é um agente da CIA ou da KGB infiltrado na cidade. 

O jogo se resume basicamente a você encontrar meios de chegar até Andrew, para “vingar” a morte da família de Atlas. 

Fim?

Como a coisa é muito grande mesmo, eu vou tentar resumir ainda mais o final: 

Depois você descobre que no submarino não havia família nenhuma de Atlas, isso era só uma coisa preparada para confundir Andrew. Andrew Ryan podia ouvir todas as conversar por rádio entre Jack e Atlas, mas Andrew não sabia que Atlas era na verdade Frank Fontaine. Por isso todas essas historinhas inventadas por Atlas. Além disso, Atlas não queria correr o risco de simplesmente dar a ordem de matar Andrew e ter um Jack insubordinado, tentando resistir à ordem. Por isso a idéia de vingar a morte da família de Atlas: para ter um Jack motivado. 

Andrew só percebe que Jack é seu filho há poucos instantes de você encontrá-lo. O interessante é que nesse momento do encontro entre Jack e Andrew é que você descobre que é uma espécie de escravo. Andrew pede a Jack que o mate. Aqui há controvérsias. Lendo à respeito por aí, existem 3 teorias maiores para a causa dele fazer isso: 

1. A primeira é que ele quis fazer uma espécie de suicídio assistido. Já que a sua sociedade perfeita estava ruindo, ele decide se matar e conta com a ajudinha de Jack para isso. 

2. A segunda é que ele não necessariamente quer se matar, mas já que Atlas vai matá-lo de qualquer forma, ele decide morrer pelos seus próprios termos. Algo do tipo: “ninguém me mata, somente eu”. 

3. A terceira é que ele faz uma tentativa desesperada de libertar Jack do controle mental, através do choque de obrigá-lo a matar o próprio pai. Mesmo que a relação filho-pai não existisse de fato, ele poderia pensar que Jack teria algum tipo de estalo e se libertaria. 

Engraçado, é que qualquer que seja a hipotése ele fica o tempo todo confrontando Jack com a frase “A man chooses, a slave obeys” = “Um homem escolhe, um escravo obedece”. O que me faz crer que num ato de despero as 3 hipotéses são válidas ao mesmo tempo. Acho que um pouco de cada influenciou a sua decisão. Afinal, ele poderia simplesmente ter impedido Jack de entrar no escritório dele, mas como não o fez, justifica a primeira e a segunda hipotéses; mas junto com isso ele pode ter feito também uma tentativa de libertar o filho (e de troco ganhar uma vingança contra Atlas quando Jack se desse conta de que matou o próprio pai). 

Enfim, pra mim, essa dúvida e abertura de interpretação deixa a coisa toda mais intrigante.

Mas e a Vita-Chamber? Bom, a única Vita-Chamber do escritório de Adam estava desativada (não sei porque raios), por isso ele morre de morrer mesmo, e não ressuscita mais. Ou não, né, vai saber o que acontecerá nos próximos jogos? 

Com a morte de Andrew, Atlas revela ser Fontaine. Antes de morrer, Andrew ativa a auto-destruição da cidade (sempre existe um mecanismo como esses não é?). FF pede a Andrew que “gentilmente” desligue o mecanismo de auto-destruição e envia os Splicers para matar Jack. Jack consegue escapar com a ajuda de uma Little Sister enviada por Tenenbaum. Então FF ativa o “Code Yellow” para que Jack morra lentamente. 

No passado, quando Dr. S programou Jack, ele fez também um antídoto que poderia livrar Jack do controle mental (era um mecanismo de segurança, para caso Jack caísse em mãos erradas). Daí então Tenembaum guia você por Rapture para encontrar as duas doses do remédio. 

Agora livre do controle mental, seu coração volta ao normal e Jack precisa se disfarçar como um Big Daddy para que as Little Sisters o guiem por portões exclusivos em Rapture que levarão você até o encontro final com Fontaine. 

Você mata Fontaine (que virou um monstrengo poderoso, entupido de ADAM) e escapa de Rapture com as Little Sisters e vive uma vida feliz. Esse é o final oficial do jogo, mas se você der Harvest em alguma ou em todas Little Sisters, há um final alternativo, onde você passa a ser o chefe de Rapture, e toma todo o ADAM para si. O Bioshock 2 levará em conta o primeiro final. 

Porque você acha o jogo tão bom afinal?

Além do óbvio (armas, poderes) você se sente dentro dessa história toda, especialmente depois que encontra o Andrew Ryan. E a história é contada em partes. Você se sente dentro dela mesmo. Por causa do modo de contar e por causa da ambientação, bem década de 60, por causa dos sons e das vozes, tanto das gravações como das pessoas falando com você pelo rádio. Os gritos dos Splicers são assustadores, e eles gritam o tempo todo, de longe você pode ouví-los. Então o clima de caos e loucura fica no ar 100% do tempo. 

Ufa. Cansei. Bonito, não?


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