12:00 am, iulo
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não custa sonhar, que lindo

Eu não sirvo mais para assistir filmes. Num deles o mocinho está lá todo rodeado de ação, atirando e destruindo o mundo. Em outro, a mocinha participa brilhantemente de uma conversa. No próximo, um menino chora porque não é correspondido em seu amor. Em todos imagino e torço pela morte súbita de cada um dos personagens. Sei que o mocinhodo filme não vai falecer, mas anseio loucamente que uma bala atravesse o seu crânio no instante em que ele salta pelo ar, fazendo com que o corpo interrompido de seu movimento caia amolecido no chão. Eu sei que o filme não vai acabar passados somente 25 minutos, mas eu tenho esperanças de que a sala belamente decorada com grandes móveis de madeira tenha uma de suas paredes destruidas violentamente por um tanque de guerra, que por sua vez dá um tiro calibre quatrocentos e setenta e três no subarco da mocinha. Eu sei que em filmes de amor crianças apaixonadas não morrem sob hipotése alguma, mas eu continuo torcendo para que naquele passeio no parque o garotinho seja encapuzado por nove terroristas arábes e que o tom colorido da película torne-se progressivamente cinzento e apático até chegar no branco, interrompendo o filme bruscamente com um rosto vestido de paletó e sem expressão me dizendo um solene “obrigado”. Sobem os créditos. 

o o o

- Amor, amor!, não seria lindo se ele morresse agora e o filme acabasse? 
- Não, amor, não seria. 
- Seria sim. Morre miséria, morre miséria, MOOOORREEEE. 
- Amor… 
- Isso, vai, beija uma bala, toma um banho de fogo, vai, vai é agora, morre, MOOOORRREEE desgramaado!


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