Eu amo meus amigos mineiros. Amo a lora brasiliense. Amo a amiga paulista da minha mãe e amo minha sogra (que é uma mistura de muitos estados, mas eu a considero primariamente uma carioca). E provavelmente amo outras pessoas desbaianadas das quais não estou lembrando agora. Mas não há nada melhor que amar baianos. Porque definitivamente não existe nada como baianos. As pessoas dos outros estados são frias. Por mais carinhosas e doces que sejam (e, especialmente, educadas), são frias. E é inexplicável. Não dá pra pegar uma atitude ou uma frase deles e dizer ah, ráa! Aí está a sua frieza, morraaaa miseráavel!. Não, não. É algo subjetivo, que não dá pra pinçar ou traduzir. É como aquela falta de alho e limão no sabor da comida, mas que você não consegue identificar objetivamente. It’s weird. É uma polidez distante. É quando o milkshake de Ovomaltine vem mal batido, mas você tem vergonha de voltar e pedir pra moça bater novamente porque não sabe o que vai dizer a ela. Amar pessoas de outros estados é quase platônico e solitário. Nada se compara à malemolência baiana. O sorriso de um baiano ou um simples abraço preguiçoso ganha fácil de qualquer demonstração exacerbada de carinho dos outros povos brasileiros. E isso também não é passível de explicação. Mas é comprovado pelo selo Inmetro iulo de experiências transregionais (e nada de transexuais, obrigado). O calor dessa cidade me mata, mas eu tenho quase certeza que definharia aos pouquinhos vivendo em outro estado.