10:07 am, iulo
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fisioterapia 2.0

Esta imagem não é de uma sessão de fisioterapia, mas achei que massagem erótica no suvaco é uma coisa bem instrutiva.

Eu odeio fisioterapia e fisioterapeutas. De 2008 pra cá, já devo ter feito umas 70 sessões. Já falei de médicos ortopedistas muitas vezes, e até citei algumas coisas rápidas acontecidas em sessões de fisioterapia. Mas nunca listei o que me faz detestar a fisioterapia.

Para quem não sabe, eu tenho uma lesão por esforço repetitivo na mão direita (hoje controlada); uma bursite misturada com tendinose no ombro há 2 anos, dores aleatórios no punho direito, uma lesão ainda em investigação no quadril esquerdo e uma dor não diagnosticada no cotovelo direito (mas essa provavelmente tem algo a ver com dor no punho).

Ou seja, eu sou um projeto, uma tentativa de ser-humano que não deu certo. E por isso sempre estou fazendo fisioterapia. E aí vêm os problemas com essa bela prática da medicina:

Primeiro problema - clínicas de fisioterapia são sujas. São lugares feios, amarelados, com equipamentos velhos. Muito raramente você encontra alguma clínica legal. Mas quando elas são legais, é porque alguma fisioterapeuta juntou uma grana com uma colega e resolveu alugar e decorar uma sala minúscula num prédio comercial qualquer. Daí elas investiram no ambiente, porém, a sala é ridiculamente pequena e, para economizar no aluguel do espaço, o prédio não tem um estacionamento decente. E só quem dirige sabe a dor de cabeça que é estacionar em determinados locais.

Segundo problema - um fisioterapeuta só é bem pago se as consultas forem particulares. Eu não tenho 60, 70, 80 reais para pagar por cada sessão particular, ainda mais que eu faço duas a três sessões por semana. Então me resta recorrer aos locais atendidos pelo plano de saúde, e basicamente o que esses lugares fazem é o seguinte: contratam um único fisioterapeuta experiente que sabe das coisas (mas só está lá tipo uma vez na semana e tá pouco se fodendo para o seu problema) e contratam milhares de estagiárias de fisioterapia que estão loucas para chegar o horário de irem embora e ficam o tempo todo no celular, falando baixinho com o namorado no meio das sessões. Além disso, elas atendem, cada uma, uns 3 ou 4 pacientes ao mesmo tempo (imagine, amigo, só imagine isso).

E aí vem o problema: essas fisioterapeutas estagiárias são pessoas que ainda não encontraram seu juízo perfeito. Dois exemplos práticos:

A) Uma vez o fisioterapeuta-mestre deixou as instruções dos novos exercícios que eu deveria fazer. A fisio-estagiária veio mostra-los para mim. Num deles havia a seguinte instrução: exercício tal, 15x6’’. A jovem disse que eu deveria fazer 15 séries de 6 repetições. Veja bem, qualquer ser-humano que frequentou academia uma única vez na vida sabe que há algo de muito errado com um exercício onde se fazem QUINZE séries. Eu questionei, ela afirmou que era isso mesmo. Fiz a primeira série e a percepção de que havia algo errado só aumentava. Até que outra fisioterapeuta mais bem preparada notou o equívoco e minha desconfiança e corrigiu o mal-entendido, me explicando que eram 15 repetições com isometria (segurando o movimento antes de soltar) de 6 segundos. Preciso comentar mais alguma coisa sobre uma fisio-estagiária que trabalha num lugar e não sabe ler a ficha de um paciente?

B) Sabe o Tens?, aquele aparelhinho que emite choques através da sua pele, contrai os músculos e alivia a dor? Aquela porcaria de aparelho possui um outro modo de funcionamento chamado Fes, que eu não faço idéia de como funciona ou para que serve. O fato é que, se você estiver ligado naquele aparelho no modo Tens e de repente alguém muda para o modo Fes, seus músculos contraem de uma forma tão abrupta que parece que você se cagou nas calças, levou um soco no estômago e desceu três níveis de sonhos em Inception ao mesmo tempo. Sim, uma estagiária já fez isso comigo e eu quase morri do coração.

Terceiro problema - ao usar o Tens ou o ultrassom nos pacientes, os fisioterapeutas não fazem limpeza dos eletrodos. O mesmo eletrodo que a fisioterapeuta passou naquela tia com brotoeja, ela vem passar em você. Se for o ultrassom, a fisioterapeuta fica pelo mentos 4 minutos esfregando a micose da tia no seu ombro. Se for o Tens, os eletrodos infectados com fungos ficam 15 minutos colados no seu trapézio. Em TODAS as minhas sessões de fisioterapia eu nunca vi um único fisioterapeuta fazer a assepsia daquelas coisas.

Quarto problema - TODAS as clínicias de fisioterapia de Salvador ficam no Itaigara. Fora a estressante rotina semanal que é ter que sair mais cedo do trabalho para ir até a fisioterapia, experimente fazer isso tendo que dirigir no engarrafamento do Itaigara/Iguatemi entre 18h e 19h30 ou às 08h da manhã.

Quinto problema - fisio-estagiárias são lerdinhas, mas quando não estão ao celular com o namorado, são simpáticas, se esforçam, querem aprender, querem mostrar serviço. O GRANDE e muito comum problema é quando as fisio-estagiárias se formam, se empregam e? O que acontece? Quem me diz? Ahn? Ahn?

ELAS CONTINUAM GANHANDO UMA MERRECA dos planos de saúde. Consequentemente, a maioria das fisioterapeutas precisam trabalhar loucamente para conseguir sobreviver, o que implica em mau-humor crônico e destrates inúmeros aos seus pacientes. Não tem coisa pior que você sair do trabalho apressado, cansado ou então acordar mega-cedo, ir para a fisioterapia, chegar lá e dar de cara com uma fisioterapeuta SUPER-EMBURRADA, com a escova mal-feita e comendo biscoito cream-cracker. Sério, ME MATEM. Se você pretende fazer fisioterapia e não está preparada para ser simpática com seus pacientes independentemente da situação de trabalho, escolha outra profissão urgentemente.

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Resumo: fisioterapia é meu inferno na terra.


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