
Num dia de dezembro, lá em Belo Horizonte com a pequena e os amigos mineiros, fomos na feira do Mineirinho. No andar de cima tinha um rapaz que vendia uns quadros.
Num canto, encostada na parede havia uma pilha de quadros retangulares, compridos, com umas coisas de metal no meio da tela. Eram bonitos, mas eram todos muito parecidos, com alguma variação somente na distribuição dos tons pastéis.
Percebendo que olhávamos para essa pilha em especial, o todo bonito vendedor fez um ar de super-entendido-de-todos-os-assuntos-do-universo (sério, queria muito que vocês vissem o ar daquela pessoa) e começou uma bateria de perguntas:
- O quadro é para qual cômodo da casa?
- Qual é a cor do seu chão?
- Qual é a cor da sua parede?
- Qual é a cor da sua mesa?
- Qual é a cor do lado de dentro do seu estômago?
Minha amiga, sem escolha, respondeu as perguntas. O cara virou-se para a pilha de quadros e começou um pequeno ritual:
*Foi passando os quadros como quem folheia uma lista telefônica.
*Parou num quadro igual a todos os outros.
*Segurando o quadro e como se as palavras saíssem da boca de Gandalf, O Branco, proferiu: ‘Esse aqui’.
*Continuou segurando o quadro, com cara de comedor que tá impressionando as gatinhas na balada.
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O detalhe, já não bastasse o constrangimento daquele momento, é que minha amiga já tinha ido lá antes e o cara fez as mesmas perguntas e a mesma pseudo-seleção com ar de contemplem-pois-sou-arquiteto-pirocudo-formado-em-harvard.
Eu fico imaginando quantas coisas aconteceram na vida desse rapaz para ele acreditar que essa é uma técnica super avançada de venda e convencimento. Se a gente respondesse que o quadro era para o banheiro de chão rosa com paredes verdes ele teria apontado para o mesmo quadro.
Eu prefiro acreditar que ele estava trollando conosco e saiu de lá para beber com os amigos e caçoar da gente numa mesa de bar.