09:58 am, iulo
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03:58 pm, iulo
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fuck us all

Viver é mesmo uma coisa escrota. Que merda é essa de fingir o tempo inteiro que se está bem? Ninguém pode ter fraquezas, ninguém pode falar delas, ninguém pode tirar o mundo dos ombros para enxugar o suor da testa. As pessoas estão sempre tão preocupadas em esconder o que sentem que não sabem lidar com minhas respostas. Meus vizinhos, que me conhecem desde criança, e acham estranho o meu reaparecimento, me perguntam: já casou? Casei, separei, tô de volta. Teve filhos? Não, não tive filhos. Por que raios eu vou esconder que me separei ou vou inventar sorrisos se o dia não é de se sorrir? O que tem pra hoje é essa cara aqui.

É grande a quantidade de amigos que dizem que eu me exponho demais, apenas por falar o que eu penso e sinto. Cara, quer viver numa caverna? Vai lá, me deixa aqui. Não enche a porra do saco.

Eu não me inscrevi pra nenhuma corrida onde vence quem é mais feliz, mais cedo e por mais tempo.

E daí as pessoas que sabem o que aconteceu me perguntam: como você tá? Eu tô bem. E me acham um escroto por estar bem. E n’outro dia novos personagens me perguntam: você tá bem? Hoje não tô bem, tô assimilando um monte de coisas e tem um buraco bem grande na porra do peito. E as pessoas acham que eu sou um escroto.

Eu tô bem. Eu atravessei uma porta com socos em meio a uma crise de ansiedade. Eu tô ótimo. Eu choro vendo gifs de gatos, e nenhum de vocês tem um caralho a ver com isso. Eu tô bem. Eu bebo mais do que deveria de vez em quando.

Se qualquer um de vocês é diferente disso, parabéns. Agora vão ali pro canto, que eu ainda não zerei o jogo e não tô com pressa pra isso.


04:10 pm, iulo
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'​Quero apenas cinco coisas. Primeiro é o amor sem fim. A segunda é ver o outono. A terceira é o grave inverno. Em quarto lugar o verão. A quinta coisa são teus olhos. Não quero dormir sem teus olhos. Não quero ser sem que me olhes. Abro mão da primavera para que continues me olhando.'

(Pablo Neruda)


04:03 pm, iulo
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'There are all types of love in this world, but never the same love twice.'

(The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald)


10:52 am, iulo
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inveja

Eu tenho profunda inveja de quem aceita, de quem acalma o próprio coração, de quem não tem tempo pra pensar demais. De quem é raso, de quem ri de tudo, de quem não faz questão de entender. Eu tenho profunda inveja de quem é fútil, de quem é monopolizado pela lógica cartesiana das coisas, de quem é bitolado pela fé cega, de quem é adestrado por deuses maus.

Eu tenho, profunda e confessa inveja de quem não viaja no tempo, não sofre pelo amanhã, não se lembra do que comeu. A minha memória, por mais curta que seja, também é seletiva. Ela se esquece de compromissos, receitas, senhas, mas jamais de sentimentos.

A minha vida, me é contada como se fosse a história de um estranho que mora no apartamento ao lado. A minha própria história se vai perdida, mas ali, no meio daqueles vultos de lembranças, eu ainda consigo enxergar a dor, a doçura, a euforia, as saudades que senti.

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05:21 pm, iulo
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o que li em 2013

Minha obsessão acha importante citar que os livros abaixo estão listados na ordem em que li. E que só há um spoiler - sobre a série ‘Guia dos Mochileiros da Galáxia’. Mas você vai ser avisado antes de topar com ele.

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, José Saramago

É lindo. E o resto da minha opinião está aqui.

Os Enamoramentos, Javier Marías

Recomendadíssimo. Um trecho aqui.

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09:58 am, iulo
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'O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdoo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso eu poderia ter dito a ela. Mas não disse.'

(Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, Marçal Aquino)


08:00 am, iulo
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'E eu, no que acreditava? Difícil dizer. Talvez na beleza, a única coisa que me pôs de joelhos no mundo. À minha maneira, eu seguia nesse tipo de religião.'

(Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, Marçal Aquino)


01:19 pm, iulo
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'Mas isso havia acontecido comigo mais de uma vez na vida: eu já havia me recusado a permitir que as convenções ditassem minha conduta, e terminara aprendendo, após fazer o que bem entendia, que os meus sentimentos mais básicos eram às vezes mais convencionais do que a minha noção de um imperativo moral inabalável.'

(Patrimônio, Philip Roth)


12:01 pm, iulo
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'Ele nunca foi capaz de entender que sua capacidade de renúncia e disciplina férrea eram atributos excepcionais de que nem todos partilhavam. Acreditava que, se um homem com suas muitas desvantagens e limitações tinha tais atributos, então todos os possuíam. A única coisa exigida era a força de vontade - como se força nascesse em árvore.'

(Patrimônio, Philip Roth)


12:07 pm, iulo
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até o dia em que o cão morreu

Trechos do livro Até o Dia em que o Cão Morreu, do Daniel Galera:

‘Eu me sentia cansado. Velho, em certo sentido. No sentido de que era tarde demais pra morrer jovem.’

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‘Perguntei pro meu vô se ele não cansava de ficar sozinho lá. Demora muitos anos pra gente descobrir o que é estar sozinho de verdade, ele me respondeu. Pode ser difícil de acreditar pra ti, mas eu não sinto solidão aqui. Tu nunca te sentiu sozinho morando em Porto Alegre?

Me lembro das frases exatas. Lembro como entendi o que ele queria dizer. Imaginei se sentiria mais ou menos solidão caso morasse num fim de mundo como aquele. Talvez fosse sempre a mesma coisa.’

_

‘É difícil imaginar sensação de maior conforto e serenidade do que esta, que surge da ilusão elaborada de que fazemos parte da vida de uma pessoa a ponto de estarmos verdadeiramente unidos, de tudo estar bem se o outro estiver por perto, se apenas nos for dada a chance de saciar os desejos e interesses um do outro, de tolerar um ao outro quando sacrifícios forem necessários e deixar que todo o resto se foda, se destrua e morra, porque não haverá problema. Aquele olhar dela era uma manifestação perfeita dessa ilusão confortadora. Durava pouco, apenas instantes, como qualquer êxtase, mas era eficaz.’

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‘Mas não foi isso que ela disse, essa era a maneira viciosa como meu cérebro insistia em registrar as coisas.’


01:19 pm, iulo
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o céu dos preconceituosos

Vocês acham que eu sou antipático - acham sim, tá tudo bem. Mas eu sou o tipo de pessoa que precisa de mais de uma prova antes de desgostar inteiramente de alguém. Eu sempre quero gostar das pessoas. O fato de eu acabar não gostando da maioria delas não vem ao caso, calem a boquinha e se atenham ao argumento. O que vale aqui é a intenção. Não é? Digam que sim, galera. Caramba, viu? Tá difícil ser legal.

Vou dar um exemplo pra vocês. Não gostei muito do livro ‘Divórcio’ do Ricardo Lísias e antipatizei bastante com o autor desde o momento em que abri o livro e vi uma foto dele. O texto concluiu o restante do processo de crescimento e formação da antipatia. Mesmo assim comprei outro livro dele, ‘O Céu dos Suicidas’, para me provar que o autor talvez venha a ser um cara legal. Quero dar o benefício da dúvida pro rapaz. Olha como eu sou legal? Sério, eu não sou muito legal?

Ou, veja bem, talvez, eu disse talvez, pessoal; talvez eu só esteja tentando aliviar minha consciência por ter antipatizado gratuitamente com um gordinho chorão. Porque ‘gordinho chorão’ é a imagem que o livro ‘Divórcio’ me passou do Ricardo Lísias, mesmo que o personagem e o autor sejam pessoas distintas - apesar de terem o mesmo nome. Algo dentro de mim diz que é errado desgostar de um ser-humano pelo simples fato d’ele ser um gordinho chorão. Ainda mais se a imagem de ‘gordinho chorão’ for, hm, questionável e tiver se formado com base num processo altamente preconceituoso deste que vos fala.

Mas tá aí mais um motivo preu não gostar do Ricardo Lísias. Além de ser um gordinho chorão, ele me confundiu. Li uma entrevista em que ele dizia que as pessoas que leem romances tendem a confundir o personagem com o autor. Isso não é verdade, eu nunca confundo autor com personagem! Mas vamos supor que as pessoas fazem mesmo isso. Aí, meio que pra questionar esse lance de as pessoas confundirem tudo, o Ricardo Lísias nomeia os personagens principais de seus livros com seu próprio nome. Isso sim me confunde e eu não consigo mais separar as coisas. Se eles têm o mesmo nome, e o autor é gordinho e o personagem é chorão, as características dos dois se fundem numa única pessoa. E eu não gosto dessa pessoa.

Eu não queria ser o tipo de pessoa superficial que antipatiza com gordinhos chorões. Mas acho que eu sou. Preciso gostar de ‘O céu dos Suicidas’ para me sentir melhor comigo mesmo. Ou o Ricardo podia emagrecer um pouco, né? Digo, não!, não é bem isso, pessoal. Calma. Olha, eu só queria poder desgostar de todo mundo sem sentir culpa nenhuma no processo. Eu não sou antipático!

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Esse texto foi escrito por Iulo Duarte, um personagem criado por Iulo Duarte.


06:13 pm, iulo
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shampoo

Nunca compro shampoo ‘para cabelos normais’. Não sei o que é um ‘cabelo normal’. Cabelo me parece ser algo feito para nos irritar, já que raramente você vê alguém completamente feliz com seu próprio cabelo. Isso não me parece muito ‘normal’. Acho que aquilo que a indústria chama de cabelo normal teria que ser algo mais na linha… ‘para você que desistiu dessa porra na sua cabeça’.

Entro num supermercado e dispenso também shampoos para ‘cabelos oleosos’. Pode ser que meu cabelo seja oleoso, eu não sei muito bem como funciona isso. Mas como eu lavo a cabeçorra duas vezes por dia, não dá muito tempo de saber se é oleoso ou não.

Fico inclinado a comprar o shampoo para ‘cabelos secos’. Vai ter mais nutriente que todos os outros, não vai? Se a porra do cabelo tá ou é seco então ele tá precisando de vitaminas, de proteína, de amor, de uma boa refeição e uma massagem nas costas - se esse shampoo vai ter tudo isso, é ele que eu quero.

Mas, nope, não acaba aí. Depois de um tempo comecei a perceber a categoria de shampoos ‘para cabelos danificados e fragilizados’. Eu fico pensando, ‘cara, o que é que essa pessoa fez para chegar aqui com o cabelo DANIFICADO e FRAGILIZADO? Ela gritou com o cabelo? A pessoa veio direto do hospital após ter escapado de um incêndio? Ela não fez manutenção preventiva no motor, nunca trocou o óleo? Essa pessoa nunca lavou a cabeça? Era morador de rua? Fez alisamento com um ferro de passar roupa? O Godzilla veio de lá do outro lado do mar, mastigou o cabelo da pessoa todo e gofou depois?

Isso me deixa confuso. É claro que o shampoo ‘para cabelos danificados e fragilizados’ vai ser melhor que o shampoo ‘para cabelos secos’, não é? E mesmo que meu cabelo seja, digamos, ‘normal’, eu vou ter mais benefícios usando o shampoo mais baixo na escala de estragamento capilar, não vou? Claro que vou.

Parem de fabricar shampoos para cabelos específicos e fabriquem shampoos do tipo ‘shampoo’, merda.

Mas eles (?) não vão parar. E a cada dia tá rolando mais definições nervosas pra isso. Agora o cabelo já não é mais seco, normal, oleoso e DANIFICADO e FRAGILIZADO. Agora tem shampoo ‘para cabelos fragilizados pelo sol’, ‘para cabelos estragados pelo mar’, ‘para cabelos danificados por porra ressequida’. Parei de ler com atenção os rótulos, já chego na seção procurando a descrição mais longa e deprimente que eu puder encontrar. Quando encontro um na pegada ‘para cabelos secos-danificados-fragilizados-eletrocutados-desnutridos-saídos-do-inferno-que-não-foram-amados-na-infância-e-escolheram-a-profissão-errada’; bingo!, é esse que eu compro.

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Não há uma lei que me obrigue a postar uma imagem que tenha exatamente algo a ver com o post. Imaginem-se pelados lavando o cabelo ao ar livre. É isso.


02:15 pm, iulo
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'Era uma dessas moças que não se afobam nem um pouquinho porque o telefone está tocando. Dava a impressão de que seu telefone estava chamando desde o dia em que atingira a puberdade.'

(Um dia ideal para os peixes-banana - Nove Estórias, J. D. Salinger)


02:56 pm, iulo
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sabemos quais palavras dizer

'Não sei se a essa altura somos realmente humanos, aqueles de nós que são como a maioria de nós, que cresceram com TV, filmes e agora internet. Quando somos traídos, sabemos quais palavras dizer; quando um ente querido morre, sabemos quais palavras dizer. Quando queremos bancar o fodão, o espertinho ou o idiota, sabemos quais palavras dizer. Todos trabalhamos a partir do mesmo roteiro gasto.

É uma época muito difícil para ser uma pessoa, apenas uma pessoa real, de verdade, em vez de uma coleção de traços de personalidade escolhidos de uma interminável máquina automática de personagens.

E se todos nós estamos atuando, não pode existir algo como uma alma gêmea, porque não temos almas genuínas.

Chegara ao ponto em que parecia que nada importava, pois não sou uma pessoa de verdade, e ninguém mais é.’

(Garota Exemplar, Gillian Flynn)